Cena Política | Análise

Três leituras essenciais na primeira pesquisa Quaest divulgada em 2026

Tarcísio é mais forte e fica fraco perto de Flávio. O filho de Bolsonaro precisa que os outros desistam. E todo o cenário ainda pode mudar até outubro

Por Igor Maciel Publicado em 14/01/2026 às 20:00

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A nova pesquisa Quaest, divulgada neste início de 2026, oferece um retrato sólido de um cenário eleitoral que ainda pode mudar muito, mas que já aponta tendências estruturais e traz explicações importantes sobre o comportamento dos candidatos nos últimos dias.

O dado mais evidente e direto é a liderança de Lula (PT) em todos os cenários testados. Ele aparece à frente em sete cenários de primeiro turno e em todos os cenários de segundo turno, com variação entre 35 e 40 pontos percentuais.

Essa consistência mostra que o ponto de partida do ano é claro, embora o ponto de chegada ainda esteja aberto.

O principal do levantamento é que ele responde três perguntas: Por que Tarcísio não será candidato? Por que Flávio Bolsonaro (PL) só tem alguma chance se os outros desistirem? Por que nada está resolvido ainda?

Tarcísio é o mais forte

A pesquisa evidencia de forma cristalina por que Tarcísio de Freitas (Republicano) depende do eleitorado bolsonarista para se viabilizar nacionalmente. No segundo turno, ele é mais competitivo contra Lula do que Flávio.

Entretanto, no primeiro turno, sua votação despenca quando Flávio está no páreo. Tarcísio cai de 27% para apenas 9% quando o filho do ex-presidente aparece no cenário. O eleitor bolsonarista prioriza o sobrenome e não o desempenho potencial contra Lula.

Quando Flávio é retirado do cenário, Tarcísio salta e triplica sua força. A matemática eleitoral mostra que ele se inviabiliza caso a família Bolsonaro lance um candidato. E por isso deve disputar a reeleição em SP.

Flávio sem governadores

O segundo ponto relevante surge quando os governadores são retirados dos cenários testados e deixam Flávio Bolsonaro praticamente sozinho como representante da direita.

Sem Tarcísio, Caiado (UB), Zema (Novo) ou Ratinho Júnior (PSD), Flávio cresce de forma significativa. Ele passa de 23% para 32% em um cenário onde apenas Romeu Zema aparece como representante de gestores estaduais.

Esse movimento indica que o bolsonarismo tem espaço para crescer quando não enfrenta concorrência direta de líderes regionais com forte capital político em seus estados. Governadores conhecidos localmente fragmentam o campo da direita e impedem Flávio de consolidar sua posição nacional.

O problema é que eles não querem entregar esse capital político regional ao filho do ex-presidente, do mesmo jeito que o ex-presidente não quer entregar seu capital político a Tarcísio.

Quem ganha com isso é Lula, que terá grande interesse em negociar com partidos da centro-direita a manutenção desses candidatos no jogo. E fará isso com uma caneta de presidente.

O peso dos indecisos

O terceiro ponto, talvez o mais importante, é o tamanho do contingente de indecisos, brancos, nulos e não-votantes.

Em alguns cenários, esse grupo chega a 28%, superando inclusive a votação de Flávio Bolsonaro na maioria dos quadros.

Esse número elevado indica um eleitorado cansado, desmobilizado e à espera de estímulos que ainda não apareceram. Também indica que o cenário de hoje não deve ser lido como definitivo. Em um ano eleitoral, especialmente em um país polarizado, a movimentação desse grupo pode redesenhar completamente a disputa.

A fotografia da Quaest mostra um Lula consolidado na largada, um Tarcísio dependente da retirada de Flávio Bolsonaro e um Flávio que só cresce quando governadores são excluídos do campo de disputa.

Nada disso, porém, é estático. Há muito terreno fértil para mudanças bruscas ao longo de 2026.

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