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Três meses para provar força e sustentar crescimento nas pesquisas

O próximo trimestre funciona como uma prévia do ambiente eleitoral, capaz de consolidar a trajetória de crescimento da governadora nas pesquisas.

Por Igor Maciel Publicado em 29/12/2025 às 11:32 | Atualizado em 29/12/2025 às 11:35

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A entrevista concedida pela governadora Raquel Lyra (PSD) à Rádio Jornal nesta segunda-feira (29/12), como balanço de 2025, marca um ponto de inflexão no governo estadual. O discurso da gestora deixou claro que o tempo da preparação ficou para trás e que se inicia agora uma fase de "aceleração consciente".

Há urgência, existe cálculo político e a percepção nítida de que o calendário eleitoral impõe limites duros. O desafio colocado é mostrar, em pouco tempo, que o governo ganhou tração suficiente para sustentar o crescimento recente nas pesquisas.

E isso precisa ser demonstrado no próximo trimestre. Não é por acaso que, daqui a três meses haverá o prazo final para desincompatibilização daqueles que pretendem disputar cargos diferentes dos que ocupam hoje nas eleições de outubro. João Campos (PSB) incluso.

Aceleração

Raquel Lyra apareceu na entrevista em ritmo acelerado porque sabe que o espaço para entregar resultados é curto depois de todo o trajeto que percorreu "organizando a casa".

Ela própria admite que os primeiros anos foram dedicados a organizar a máquina, destravar projetos e preparar o terreno. O problema é que a política não concede longos períodos de maturação. O eleitor é imediatista.

A partir de agora, o governo entra na fase em que precisa transformar planejamento em obra. Só é possível provar que o estado está avançando se as transformações forem palpáveis. É preciso ser visto, possível de ser tocado e ao menos já ter perspectiva de uso para que o futuro seja mensurável e atraia votos.

Entregas

As entregas passam a ocupar o centro da estratégia e vão naturalmente assumir papel claramente político. O discurso da governadora deixa claro que, entre janeiro e março, o governo vai operar no limite do acelerador.

Esse intervalo antecede o prazo de desincompatibilização e funciona como uma espécie de prévia do julgamento eleitoral. É nesse período que se consolida, ou não, a percepção de que o governo ganhou ritmo suficiente para disputar 2026 em outro patamar.

Creches

A política de creches surge como símbolo dessa virada. A promessa feita na campanha de 2022, de entregar 250 unidades, começa agora a sair do papel. O dado relevante não é apenas a primeira entrega que foi anunciada na Rádio e ocorrerá nesta terça (30), mas o modelo adotado.

Educação infantil é atribuição municipal, mas o Estado decidiu assumir o problema estrutural. Compra o terreno, constrói a unidade, banca o funcionamento inicial e dá tempo para que as prefeituras se organizem. É uma intervenção que rompe com a lógica histórica de "empurra" entre entes federativos.

Perfil

O mesmo raciocínio apareceu no caso do metrô do Recife. A responsabilidade é federal, mas o governo estadual decidiu chamar o problema para si.

A mensagem política é clara com Raquel Lyra construindo a imagem de quem assume responsabilidades que não eram originalmente suas quando enxerga ali um gargalo estrutural de Pernambuco. Esse padrão de atuação não surgiu como improviso na entrevista. Aparece propositalmente como linha de coerência do governo.

Calendário

Tudo isso acontece sob a pressão do calendário eleitoral. Até março, o jogo estará praticamente desenhado. Em abril, chega o prazo de desincompatibilização para quem pretende disputar outro cargo.

Esse marco impõe uma corrida silenciosa, mas intensa, tanto ao Palácio do Campo das Princesas quanto ao prefeito do Recife. A comparação direta não é feita, mas o contraste de ritmos existe.

Enquanto um lado precisa sustentar crescimento demonstrado nas últimas pesquisas, o outro precisa provar que não perdeu fôlego. É uma corrida interessante.

Desafio

A entrevista deixa claro que a governadora tem consciência desse desafio. Crescer nas pesquisas é importante, mas não basta. Será necessário demonstrar vigor, constância e capacidade de entrega em sequência.

Os próximos dois ou três meses funcionam como um teste decisivo. Se o ritmo se sustentar, Raquel Lyra chega a 2026 em condições reais de vitória. Serão três meses intensos, para todos.

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