Igor Maciel: Iniciativa de empresários por infraestrutura em Pernambuco é urgente
Preocupação da Fiepe é com 2032, quando acabam os incentivos fiscais regionais por conta da Reforma Tributária. Pernambuco é um dos focos críticos.

Há uma característica de estados como o Ceará e a Paraíba que Pernambuco precisa copiar. Lá, a classe política e os empresários trabalham unidos quando o assunto é o desenvolvimento de projetos que impulsionam a economia, principalmente os de infraestrutura.
Lá não acontece, por exemplo, o que aconteceu por aqui com a BR 232. A rodovia que foi abandonada nos governos do PSB e cujo único pecado era ter sido feita pelo governo anterior que precisava ser suprimido da lembrança pública por razões eleitorais.
Rodovia
A 232, duplicada no governo de Jarbas Vasconcelos (MDB), foi um reconhecido fator de desenvolvimento para o interior do estado. O crescimento da região Agreste foi multiplicado pelo acesso facilitado com a capital. Mas a partir de 2007, quando o PSB chegou ao poder, havia a necessidade de apagar os benefícios da obra da História, com o objetivo de anular os resultados eleitorais que a oposição ainda poderia conseguir com isso.
Patetice
Os socialistas haviam trabalhado contra a duplicação, feita em boa parte com o dinheiro da venda da antiga e extremamente ineficaz Celpe. A acusação entrava no hall das patetices ideológicas comuns: “Jarbas vendeu o patrimônio dos pernambucanos (sim a Celpe) para fazer uma estrada”.
A argumentação demagógica, claro, não considerava o desenvolvimento que a 232 induzia, a movimentação financeira que passou a circular pelo asfalto interligando regiões e nem a ampliação e modernização do fornecimento de energia elétrica que a venda da Celpe acarretou. Era um jogo de ganha-ganha.
Abandonou
Uma vez no poder, o PSB tratou de abandonar a rodovia. Foi assim com Eduardo e com Paulo Câmara. A ligação principal entre o interior e a capital foi deixada aos buracos, usando como desculpa a falta de acordo com o Governo Federal sobre a manutenção da via.
Desculpa esfarrapada, é bom que se diga, já que havia toda a condição política para um acordo, fechado apenas quando os socialistas deixaram o poder, já no governo Raquel Lyra. Agora se fala em revitalizar e ampliar a duplicação até o Sertão.
É bom e há mérito do atual governo, mas é um desastre que ainda precisemos dizer, nessa altura de um século XXI cheio de inovações por toda parte, que foi preciso mudar a gestão política para que a obra saísse.
Afinal, o interesse maior é Pernambuco, mas isso depende do grupo político que estiver no poder?
Fiepe
Esta semana a Federação das Indústrias de Pernambuco promoveu um evento para lançar o Fórum Permanente da Infraestrutura. A iniciativa é uma tentativa importantíssima de provocar por aqui aquilo que já existe em outros estados nordestinos, o sentimento de que nada pode ser mais importante do que viabilizar a infraestrutura necessária para que Pernambuco cresça.
Partidos políticos, bandeira ideológica, a carreira política de fulano ou beltrano? Nada disso importa mais que preparar o estado para um desafio imenso que se aproxima e terá seu ponto de maior desafio em 2032: o fim dos incentivos fiscais regionais.
O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, falou sobre isso ao Passando a Limpo, na Rádio Jornal. Para ele, não há outro caminho além do investimento em infraestrutura. E está correto.
Se antes
Se iniciativas assim tivessem sido implementadas antes, e tivessem sido mantidas com a força necessária, hoje não estaríamos ainda tentando salvar uma Transnordestina lançada em 2006 e um Arco Metropolitano do qual se fala há mais de 20 anos, no mínimo. Tudo isso já deveria estar pronto.
Essas e outras obras de infraestrutura que estão sendo planejadas, e tem projetos envolvendo mais de R$ 20 bilhões, podem ser a salvação de Pernambuco quando, em 2032, o trecho da reforma tributária que encerra incentivos para o Nordeste entrar em vigor. Daí em diante somente aqueles estados com as melhores condições geográficas, logísticas e de infraestrutura irão conseguir manter empresas e empregos dentro de suas divisas.
Rigor
Pensar nisso agora, e agir com o rigor necessário à gravidade da situação é o que vai diferenciar a vida e a morte de economias estaduais inteiras. O impacto da saída de empresas que hoje fazem parte do ecossistema pernambucano quando os incentivos não estiverem mais em vigor será o grande definidor do futuro.
Num limiar desses, apoiar ou condenar obras estruturantes baseado em ambições políticas e partidárias deveria ser considerado crime.
A Fiepe não vai chegar a tanto e não tem poder para isso, mas o simples fato de estar se propondo a fiscalizar e pressionar pela execução dos cronogramas das obras já é um bom passo.