
É preciso ter muito cuidado para que a ânsia de acertar não leve ao erro de achar que nada mais importa. O combate à corrupção no Brasil é muito importante, mas não faz dos que atuam em seu propósito heróis inquestionáveis.
Longe disso, os coloca sob lupa para que não justifiquem o combate ao crime cometendo outros crimes.
Antes que você ache que se trata de uma defesa de corruptos, cabe explicar. Lula não só foi preso por motivos corretos, como ainda deveria estar na cadeia. A Lava Jato cumpriu, sim, serviço excepcional no combate à corrupção em um país que tem o “jeitinho” como patrimônio.
Mas atrapalhou tudo quando começou a usar esse “jeitinho” pra sobreviver. A justificativa de que “se for por meios normais não se avança”, enfraqueceu as instituições ao ponto em que elas passaram a ser questionáveis.
A própria eleição de Bolsonaro e o caos subsequente são resultado dessa criminalização da política como bandeira.
O saldo disso: policiais, promotores e juízes viraram políticos, a democracia ficou ameaçada por causa do enfraquecimento das instituições e Lula, que deveria estar preso, dá entrevistas todo dia na sala de casa.
Deu certo?
A paleta de cores do mundo vai além do preto, branco e cinza. A Lava Jato criou um ambiente em que você apoia a Força Tarefa ou é bandido. Ou, ainda, não se importa com a pátria.
Quem também age assim? Regimes autocráticos, ditatoriais e torcida organizada de futebol.
São três péssimos modelos para seguir.
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