No mesmo dia em que foi encerrada a discussão sobre a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o deputado federal Felipe Carreras (PSB) disse ao JC nessa quarta-feira (07) que não teria motivos para mudar seu voto a favor da matéria no 2º turno. Segundo o socialista, foi "uma posição que nós tomamos com muita convicção no voto", disse.
Questionado sobre a espera do parecer do Conselho de Ética do partido, Carreras afirmou que está tranquilo sobre as suas "convicções". "Cabe ao partido a decisão que vai tomar. Eu estou tranquilo em relação às minhas convicções, minha posição política e procurando atender as expectativas dos eleitores que me conferiram o mandato", cravou.
Ainda nessa quarta (07), o presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, defendeu que cada um dos 10 dissidentes socialistas deveriam ser julgados separadamente, levando em consideração a história ao lado da sigla.
"Sobre o PSB de Pernambuco, eu defendo que cada caso seja analisado separadamente, porque cada parlamentar tem uma história com o partido, principalmente o deputado Felipe Carreras que possui uma história especial com o PSB", afirmou.
Felipe Carreras foi o único parlamentar do PSB de Pernambuco a votar a favor do texto-base da reforma da Previdência, aprovado em 1º turno na Câmara dos deputados nessa quarta-feira (10). O parlamentar contrariou orientação da Executiva do partido, que defendeu ferozmente voto contrário à reforma.
Carlos Siqueira
Quando perguntado sobre a posição do PSB e do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, Felipe Carreras afirmou que ele estava passando a imagem de uma "pessoa desequilibrada". "O presidente está passando uma imagem de uma pessoa desequilibrada porque os deputados já tinham tido voto, ele já tinha exposto a posição dele, inclusive, a meu ver, agindo de forma desrespeitosa na medida em que vai nos estados querendo desqualificar o deputado", contou.
Ainda na entrevista ao JC, Carreras ainda lembrou do posicionamento da sigla durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Segundo ele, Siqueira na época não tomou nenhuma atitude contrária.
"Ele (Carlos Siqueira) não teve esse posicionamento que está tendo agora quando o PSB passou cerca de um ano ou mais tempo ocupando ministério do governo Temer e com a liderança da bancada do PSB sendo da base do governo Temer, ele não tomou nenhuma atitude e nem foi desqualificar nenhum parlamentar, nem ninguém, passou mais de um ano essa divisão, essa ambiguidade que não tem agora", acrescentou.
Por fim, o pernambucano disse que o papel do presidente é "defender as bandeiras do partido", sem desqualificar os parlamentares que foram o PSB. "Ele tem que defender o partido, as bandeiras do partido, a história do partido, mas ficar falando mal, querendo desqualificar quadros históricos e quem tem voto porque ele não tem nem voto, não sabe nem o que é se eleger porque nunca disputou eleição e não sabe o que é ter que corresponder aos eleitores que lhe conferiram voto", desabafou.
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Nota do PSB sobre os dissidentes
O Partido Socialista Brasileiro – PSB parabeniza os deputados que votaram a favor do povo brasileiro, na apreciação em 2º turno da chamada “nova Previdência”. O posicionamento de cada um destes parlamentares reitera a luta histórica do partido, que sempre esteve ao lado da população mais simples, da classe média, do pequeno empresariado, dos trabalhadores do campo, entre outros segmentos.
Orgulha ao PSB, portanto, fazer menção aos nomes dos deputados Alessandro Molon, Aliel Machado, Bira do Pindaré, Camilo Capiberibe, Cássio Andrade, Danilo Cabral, Denis Bezerra, Elias Vaz, Gervásio Maia, Heitor Schuch, João Campos, JHC, Júlio Delgado, Lídice da Mata, Luciano Ducci, Luiz Flávio Gomes, Gonzaga Patriota, Marcelo Nilo, Mauro Nazif, Rafael Motta, Tadeu Alencar e Vilson da Fetaemg. Eles se inscreverão na linhagem de lideranças como Miguel Arraes de Alencar, Jamil Haddad, entre muitos outros.
Os que entregaram seus votos ao projeto governistas deverão responder, no entanto, perante a população, pelos imensos prejuízos que lhe causaram, entre os quais:
– Rebaixar as aposentadorias em 15%, assim que a “nova Previdência” entrar em vigência;
– Reduzir a pensão de viúvas em 40% da aposentadoria de seu cônjuge;
– Tirar o abono salarial de 21 milhões de trabalhadores;
– Entregar aos ruralistas um “presente” de R$ 84 bilhões, ao isentá-los de contribuição previdenciária sobre exportações.
Lamentavelmente dez deputados do PSB votaram a favor dessa reforma escandalosamente contrária aos interesses dos segmentos pobres da população que o partido deve representar, motivo pelo qual já respondem a processo na Comissão de Ética e serão devidamente punidos. Caberá a eles, no entanto, justificar diretamente aos brasileiros a motivação de seus votos. É sobretudo a esse tribunal, cuja imensa maioria será prejudicada pela “nova Previdência”, que os deputados abaixo relacionados devem dar as devidas explicações:
– Átila Lira (PI)
– Emidinho Madeira (MG)
– Felipe Carreras (PE)
– Felipe Rigoni (ES)
– Jefferson Campos (SP)
– Liziane Bayer (RS)
– Rodrigo Agostinho (SP)
– Rodrigo Coelho (SC)
– Rosana Valle (SP)
– Ted Conti (ES)
Carlos Siqueira
Presidente nacional do PSB