Um dos principais rachas da história recente da política local está chegando ao fim. Após cerca de sete anos afastados, João Paulo e João da Costa, ambos do PT, voltam a ter contatos políticos. Oficialmente, o discurso é que a aproximação serve para defender o projeto político no Recife e no País na resistência ao impeachment de Dilma Rousseff. Na prática, os dois ainda se falam pouco. Mas os gestos vêm de ambos dos lados.
João Paulo tem citado João da Costa, que este ano concorre a uma vaga de vereador, repetidamente na campanha, ao falar das ações das duas gestões petistas na cidade. João da Costa, por sua vez, usou a imagem de João Paulo em seu material de campanha. João da Costa foi secretário de João Paulo nas duas gestões e foi o nome escolhido pelo ex-prefeito para sucedê-lo no Palácio Capibaribe. Ainda no primeiro ano de gestão de João da Costa, os dois romperam politicamente por motivos que até hoje não foram plenamente esclarecidos.
“Houve aproximações mais improváveis, como Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos”, justificou João Paulo, acrescentando que a reconciliação é política e partidária. “Temos conversas nos momentos necessários, por exemplo, quando pedimos as realizações do governo dele para citar na campanha”.
“É uma reaproximação progressiva. São fatos que não se apagam de um dia para o outro. Os interesses do povo do Recife estão acima dos problemas de antes”, justifica João da Costa.
Um dos principais articuladores da reaproximação foi o presidente do PT-PE, Bruno Ribeiro. “Não foi difícil. Contou com a percepção de ambos de que o diálogo entre eles era muito importante para o partido, para motivar a militância e posicionar bem o partido”, afirmou Bruno.