As moscas-das-frutas vão continuar sendo monitoradas pelo menos no lado pernambucano do Vale do São Francisco nos perímetros irrigados Nilo Coelho, Maria Teresa e Bebedouro. O monitoramento faz parte da renovação do contrato com a empresa Moscamed bancada pelo governo do Estado por R$ 545,2 mil. “É importante reduzir a quantidade desses insetos para garantir as exportações”, conta a diretora presidente da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), Erivânia Camelo.
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Serão beneficiados 1.300 produtores que cultivam 13 mil hectares no Vale do São Francisco nos municípios de Petrolina e Lagoa Grande. Os acordos internacionais permitem que seja encontrada uma mosca por armadilha por dia na área do plantio. Em 2014, numa armadilha eram encontradas 70 moscas diariamente no lado pernambucano do Vale. Atualmente, são 35. “O objetivo é reduzir mais ainda esse número”, conta Erivânia.
A mosca-da-fruta prejudica a qualidade da produção. No caso da manga, o inseto coloca uma larva que apodrece a fruta, apesar da aparência ser normal por fora.
Além do monitoramento, a iniciativa do Estado também inclui a distribuição de um agrotóxico que mata a mosca e, por último, a colocação de insetos machos estéreis nos plantios, evitando a procriação da espécie. Esse último só é feito quando são encontradas três moscas por armadilha.
A renovação do contrato prevê a continuidade dos serviços da Moscamed entre 15 de junho e 31 de dezembro deste ano. E depois? “A gente espera que o Ministério da Agricultura cumpra o seu compromisso e repasse recursos para o programa”, diz Erivânia. Ela também argumenta que os produtores devem fazer a sua parte, enterrando as frutas que caem no chão, o que evita a proliferação das moscas.
CONTROLE
Mas nem tudo contribui para o sucesso do programa. “O lado baiano do Vale do São Francisco não está fazendo o controle da mosca, que pode voar até dois quilômetros. Entre uma cidade e outra, pelo Rio São Francisco, não tem um quilômetro e algumas correntes de ventos trazem o inseto da Bahia”, conta Erivânia. O Vale se estende por vários municípios da Bahia e de Pernambuco, divididos pelo Velho Chico.
O produtor Vanildo Roques Alves faz parte do programa e administra 35 hectares – sendo 30 cultivados com manga e cinco com uva – que a sua família tem no Nilo Coelho. “Essa mosca é uma praga. É um programa de extrema necessidade. Nunca deixei de fazer esse controle. Já vi muita gente ter prejuízo, ficar sem exportar por causa desse inseto”, afirma ele que planta no Vale desde 1994.