DESPEDIDA

Falece o arquiteto José Goiana Leal

Velório acontece desde as 11h no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Corpo será cremado às 15h.

Flávia de Gusmão
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Flávia de Gusmão
Publicado em 26/08/2014 às 12:18
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O arquiteto José Goiana Leal faleceu na madrugada desta terça-feira (16), aos 70 anos, tranquilamente, em sua residência, enquanto dormia. O velório acontece desde as 11h no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Em seguida, acontece a cerimônia de cremação, às 15h.

Também um artista plástico aplicado, Zezito, como era conhecido, pontuou a cidade do Recife com seus projetos, alguns deles ícones de uma época. Embora se tornasse mais conhecido por obras de grande porte, particularmente hotéis - Mar Hotel (1986), Sheraton Petribú (1991), Atlante Plaza (1997), Summerville (2000), Beach Class (2003) e Enotel (2006) –, Goiana colocava todo o seu coração quando era convocado a desenhar casas, que, na sua cidade idílica, seria a forma mais humanizada de  convívio. Ele próprio, ao lado da família, a mulher Cristina e as filhas Georgina e Gisela, fizeram da moradia, em Candeias, que ele mesmo projetou, um dos últimos bastiões de resistência à verticalização.

Curiosamente, foram os grandes projetos que, se no início lhe afastaram das obras mais simples, terminaram por reaproximá-lo do prazer de projetar residências. Verde e azul eram suas cores favoritas, e isso pode ser constatado em sua própria residência de praia, em Toquinho, na concepção de seus hotéis e resorts e até na sua atividade paralela como pintor de paisagens que, como bom arquiteto, procurava reformular o que não lhe parecia tão belo. “Nos anos 90, a concepção de ‘segunda casa’ mudou completamente. As pessoas não queriam mais passar seu tempo de lazer numa moradia de segunda categoria, um lugar onde se encostavam os móveis e objetos rejeitados pela ‘casa principal’”, explicava. “As pessoas começaram a querer projetos assinados e não uma improvisação. Elas entenderam que viver com conforto e beleza torna as pessoas mais felizes.”

Adequação do projeto ao lugar, respeito às necessidade do cliente e ao seu orçamento, não fazer concessões a modismos e pensar na longevidade do projeto eram seus lemas. "O que diferencia arquitetura de escultura é o espaço interior. É preciso proporcionar conforto a quem mora, seja visual ou de proporções. O mais importante na arquitetura é o homem”, declarou numa entrevista concedida ao Jornal do Commercio.

“O arquiteto é um prestador de serviço. Sua criatividade reside na capacidade de atender às necessidades de quem o contrata”, defende.“Se um arquiteto passasse a fazer só o que gosta, sem receber estímulo de necessidades exteriores ao seu desejo, ele acabaria por se repetir.” Essa era uma das lições que José Goiana procurava ensinar aos seuse ex-alunos da disciplina planejamento arquitetônico, na Universidade Federal de Pernambuco, da qual estava aposentado.

Na 7ª Bienal Internacional de Arquitetura (BIA), realizada em novembro de 2007 no prédio da Fundação Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera, uma sala de 80 metros quadrados foi inteiramente reservada para este pernambucano nascido em Floresta. O arquiteto José Goiana Leal, completava, então, 30 anos de escritório no Recife. Ele foi o escolhido para ilustrar com seus projetos o segmento Arquitetos Convidados Nacionais. Antes dele, dois nomes igualmente expressivos na profissão – Acácio Gil Borsói e Carlos Fernando Pontual – mereceram a distinção. A exigência era possuir uma obra consistente, que tenha marcado com sua personalidade a paisagem na qual se inseria.

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