O guitarrista Paulo Rafael não se apresentava solo no Recife há cinco anos. De repente faz dois shows seguidos. Semana passada tocou com César Michiles, no projeto Duo Malakoff. Hoje abre a segunda temporada do projeto Aurora Instrumental, às 19h, no Teatro Arraial, na Rua da Aurora.
Ele toca com o violonista Juliano Holanda, o percussionista Lucas dos Prazeres e ainda recebe convidados.
Desde 1975 tocando com Alceu Valença, Paulo Rafael contabiliza 45 anos de estrada, a contar do Phetus (com Lailson e Zé da Flauta), depois com o Ave Sangria, Rútila Máquina (com Tonia Schubert e Márcio Lomiranda), três discos solo, trilhas sonoras, mais recentemente o projeto Primavera nos Dentes (Charlie Gavin, Duda Brack, Felipe Ventura e Pedro Coelho) que fez uma feliz releitura do Secos & Molhado.
“Não tinha tempo para fazer um trabalho solo aqui. Estou viajando muito com Alceu e com O Grande Encontro, e também com o Primavera nos Dentes, O projeto deu uma parada para Charles Gavin gravar o programa Som do Vinil”, explica Paulo Rafael, que também tem na agenda o redivivo e requisitado Ave Sangria, agora com um novo público, formado por uma geração que nem era nascida quando a banda gravou o primeiro disco (está prestes a lançar o segundo de estúdio).
Entusiasmado com a apresentação com César Michiles no Duos Malakoff, ele o convidou para participar do show de hoje. São velhos conhecidos, Michiles também está na turnê de O Grande Encontro, com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. Com Juliano Holanda, embora seja um amigo mais recente, já está bem entrosado. Juliano toca com o Ave Sangria: “Com Lucas dos Prazeres, que achei muito bom no ensaio que fizemos, só toquei uma vez, numa gravação de um DVD de Alceu no Marco Zero”.
Um dos guitarristas mais elogiados de sua geração, Paulo Rafael, exatamente, pela agenda ocupada, só gravou três discos solo, Orange (1992), Vagalume (1995) e Alado (2010), que se tornaram- raridades, vendidos a preços salgados nos sebos. Orange (lançado pela Eldorado) nem teve edição em CD.
Na primeira encarnação do Ave Sangria, Paulo Rafael ainda era menor de idade. Por ser menor, era o “boi de piranha”, encarregado de ir resolver broncas na Polícia Federal, em época de censura feroz, que pedia explicações antes e depois dos shows.
“Esta coisa da volta do Ave Sangria, de estar muito focado na banda, me fez voltar aos arquivos e vi que tenho muita música guardada, muito tema para terminar e me deu vontade de gravar mais um disco solo”, diz o guitarrista, que também tem outro disco procuradíssimo nos sebos, Caruá, gravado com Zé da Flauta, em 1980, e que encerra a fase dos discos independente do udigrudi pernambucano.
REPERTÓRIO
“A gente montou para hoje um repertório dos meus discos solo, só não tem de Caruá”, comenta Paulo, que antecipou o set-list do concerto: Rua dos Oitis, Puro Malte Blues, Cavalo do Cão, Outras Marinas, Xodó, Águas Claras, Navegantes e Orange.
Talvez alguma homenagem a Ivinho (da formação original do Ave Sangria) cujo disco ao vivo em Montreux, está completando 40 anos. A segunda temporada do Aurora Instrumental irá até 12 de dezembro. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10.