Reggae

Afonjah celebra 30 anos do primeiro disco na Terça Negra

Músico foi um dos pioneiros do reggae em Pernambuco

JOSÉ TELES
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JOSÉ TELES
Publicado em 18/09/2018 às 11:27
foto: Guga Matos/JC Imagem
Músico foi um dos pioneiros do reggae em Pernambuco - FOTO: foto: Guga Matos/JC Imagem
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Valdir Fernandes Rodrigues, ou Afonjah, tinha 12 quando viu, pela primeira vez, Bob Marley, no programa de Nelson Motta, na TV Globo. Completou-se para ele a santíssima trindade de músicos que o influenciariam: Bob Marley, Gilberto Gil e Milton Nascimento. Ele e sua turma da Mustardinha buscavam uma música que fizesse a ligação com a África. Com Valdinho, Bria, Ívano, Junior e Wallace, montaram um grupo batizado de Raízes. Afonjah decidiu levar a música a sério, em meados dos anos 1980 e estudou na UFPE. Lá, um de seus professores foi o lendário violonista José Dominguez Carrion, em seguida cursou harmonia e arranjos no Centro de Criatividade. Ao mesmo, tempo ia gravando o que seria seu álbum de estreia, Magia Negra, que foi lançado em 1988, com sela da Continental.

Hoje, no Pátio de São Pedro,Afonjá celebra os 30 anos do disco, o primeiro bem sucedido do reggae pernambucano, no projeto Terça Negra, os 30 anos de Magia negra. “Vendeu toda a edição de cinco mil cópias, eu mesmo não tenho nenhuma. Foi produzido por Flávio Queiroga. Aliás, a família Queiroga participou, Nena fez vocais, Lula canta na faixa Yereci. Foi gravado no Estação do Som, o estúdio ainda ficava na Madalena”, lembra Afonjah.

Pouco tempo depois de lançar o álbum ele foi para a França, onde se entrosou com africanos, exatamente quando estava havendo uma abertura para a world music. “Foi numa época de valorização de nomes como Mori Kanté, Alpha Blondy, conheci o pessoal da música e conheci a religião rastafari”, conta. Numa viagem para shows na Suíça conheceu os integrantes dos Wailers, a banda jamaicana que tocava com Bob Marley, e fez amizade com o líder do grupo Aston “Family Man” Barrett. “Conheci todo o pessoal dos Wailers, trabalhei com eles na Jamaica, passei quatro meses em Kingston. Gravei algumas músicas lá com participação de Family Man, no baixo, de Junior Marvin na guitarra, Earl ‘Wire’ Lindo, no teclado. Este material nunca foi lançado. Trouxe o teipe da Jamaica e está comigo até hoje. Penso em lançar um disco, só não sei quando isto será possível”, diz. O músico também tocou com os Wailers no Recife. Abriu para o grupo jamaicano num show na filial do Circo Voador na capital pernambucana, que funcionava onde hoje está o prédio do TRF.

PRODUÇÃO

Na volta ao Brasil, Afonjah gravou o segundo disco, que teve seu nome por título, lançado pela Velas, foi feito Rio, com produção de Carlos Trilha, com participações do Daruê Malungo e do maestro Spok. Um trabalho inteiramente autoral, com parcerias (com Ívano, Suely Mesquita, e Lepê Correia, entre outros). O terceiro disco, Cambinda dub, é de 2002, novamente feito no Rio, no Estúdio Órbita, com a produção dividida entre Afonjah e Carlos Trilha, ambos engatariam uma parceria duradoura.
O pernambucano dedicou-se desde então à produção, passou a morar no Rio,  trabalhando com Carlos Trilha, tocando com menos frequência no Recife. “Nem sei quantos trabalhos produzi. Os mais recentes foram com os Ticuqueiros, de Nazaré da Mata, e com a cantora Monique Morena, o disco Samba Eletro Acústico”, recorda.

Afonjah produz no momento seu quarto disco, Baobá, que pretende lançar em 2019. “Será um disco diferente, uma forma de mostrar que não faço só a onda do reggae. Fiz umas canções mais para a MPB, as minhas influências de Gil, Milton e Naná Vasconcelos. Tive algumas influências do manguebeat. Passei um tempo fora, e quando voltei aqui o manguebeat estava começando, sou amigo de Pupillo, Gilmar, tive muito contato com Chico Science, no Humaitá, numa época em que eles estavam morando em Santa Tereza e tinha umas noite de DJ por lá”, diz.

Mas, sua praia é mesmo o reggae (ele professa a religião Rastafari). O show dos 30 anos de Negra Magia, terá basicamente o ritmo jamaicano. O repertório é de canções pinçadas dos três discos Afonjah. A programação, que começa às 18h, com entrada franca, tem ainda, roda de capoeira, na abertura (às 18h), a banda Estado Civil, e Ednaldo Lima.

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