São dez anos se consolidando como um dos principais eventos literários de Pernambuco e do Brasil. A Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) teve início em Porto de Galinhas, ganhou uma dimensão ainda maior com a vinda para a Olinda, e busca se reinventar neste ano. Com homenagem ao escritor Ariano Suassuna e o tema do cinema e da literatura, o evento começa nesta quinta (13/11) com uma conferência para convidados da escritora Lya Luft e do seu marido, o engenheiro e escritor Vicente de Britto Pereira, no Mosteiro São Bento.
Neste ano, o orçamento da Fliporto diminuiu 78% em relação a 2013, redução causada, segundo os organizadores, pela dificuldade de se captar patrocínios. Por isso, a edição vai ocupar diferentes espaços de Olinda, deixando a grande estrutura da Praça do Carmo, antes dedicada ao congresso literário, para usar o Colégio São Bento, ao lado do antigo local. Também dentro da escola vão ficar o Cine Fliporto, a Fliporto Galera e a Fliporto Galerinha – só a Feira do Livros fica fora do espaço, ocupando parte da praça. Outras programações paralelas da Fliporto, como a Eco Fliporto, E-Porto Party, Fliporto Cordel, não acontecem neste ano.
O auditório principal conta com 250 lugares. A entrada é gratuita mediante reserva no site Eventick – as entradas para todas as 12 mesas do congresso literário já estão esgotadas. Quem quiser arriscar, precisa chegar antes do horário das palestras para entrar, caso alguém desista.
Na programação, três nomes vieram de fora do País: a sul-coreana Hwang Sun-Mi, autora da obra juvenil Flora Hen; a americana Margaret Stohl, da série best-seller 16 luas; e o jornalista inglês Martin Sixsmith, autor da tocante narrativa real Philomena, sobre a busca de uma mãe pelo filho ao longo de 50 anos. Um estrangeiro residente no Brasil está na programação: o angolano Ondjaki, vencedor do Prêmio José Saramago de Literatura em 2013.
A homenagem a Ariano Suassuna, anunciada ainda em 2013, antes da morte (em 23 de julho) do escritor e dramaturgo paraibano, é extensa. Começa com a aula-espetáculo de Romero de Andrade Lima (leia mais abaixo) e conta com dois debates, um com Carlos Newton Jr, Adriana Falcão e Braulio Tavares sobre as adaptações de suas obras para o cinema e outro sobre o segredo das aulas e entrevistas que o autor de O auto da Compadecida tanto gostava de dar, com depoimentos de Samarone Lima, Geneton Moraes Neto e Vladimir Carvalho. A apoteose dessa celebração sobre o criador do Movimento Armorial se dá com a palestra de Raimundo Carrero que será seguida de um concerto de Antônio Madureira.
Outras duas conversas merecem destaque. Primeiro, o debate sobre cinema, literatura e a adaptação com Xico Sá e Claudio Assis, que falam sobre o processo de transformação do livro Big Jato em filme. Com um viés mais de análise, três pesquisadores da prosa de Raimundo Carrero – Eliene Medeiros da Costa, Priscila Varjal e Rafael Monteiro – se encontram para falar sobre a família, a religião e a loucura nos romances do autor salgueirense. A mediação é do editor deste Caderno C, Marcelo Pereira.