Dez anos separam o primeiro e o último filme da saga Harry Potter. Para quem era jovem no início dos anos 2000, foi uma década na escola de magia e feitiçaria de Hogwarts crescendo ao lado dos personagens que imortalizaram a série. Harry Potter e as relíquias da morte: parte 2, com pré-estreia hoje es estreia amanhã nos cinemas, marca o fim oficial da rentável franquia que já arrecadou mais de 6 bilhões de dólares ao redor do mundo e é um dos filmes mais aguardados do ano.
Para os fãs mais ávidos é possível que não haja grandes surpresas em relação aos detalhes da história original, contada por J.K. Rowling no último livro da série, publicado em 2007. Harry Potter e as relíquias da morte foi dividido em duas partes pela Warner para o bem dos espectadores/leitores que mereciam uma adaptação cinematográfica à altura da despedida oficial de Harry da telas. A segunda parte do filme começa de uma forma acelerada, repleta de lutas, perseguições e confrontos que se misturam com histórias do drama do protagonista. No entanto, a obra pode ser sintetizada em um simples diálogo: “Nós sempre estivemos perto de você, Harry”, disse a mãe dele.
Harry Potter e as relíquias da morte: parte 2 é um filme sobre o amor, o companheirismo, a fidelidade e, principalmente, sobre conseguir seguir em frente. Em uma das cenas mais determinantes da série, Harry se encontra com quatro pessoas que continuam fazendo parte de sua vida, mesmo depois da morte: a mãe, Lily; o pai, James; o padrinho, Sirius; e o professor Reno. Fica a impressão, aos olhares dos espectadores, que todos os filmes produzidos até agora convergiram para esse momento no qual o protagonista finalmente consegue calar seus fantasmas e encontra as pessoas que regeram os acontecimentos de sua vida. Todos morreram em nome do amor que sentiam pelo personagem e agora estão juntos pelo mesmo motivo, para guiá-lo até o confronto com Voldemort.
Talvez seja este o filme mais fiel a obra literária, o seu diretor David Yates, cineasta responsável pelas últimas quatro produções da série, pode ser considerado também um dos grandes responsáveis pela criação do universo fantástico e visual de Harry Potter. Chris Columbus deu início à saga assinando os dois primeiros filmes. Alfonso Cuarón deu um novo fôlego à franquia com Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban. Porém, foi Yates o responsável pela unidade da obra. Ao fim, percebemos que Harry Potter, finalmente, cresceu e o diretor conseguiu construir um filme sobre o amadurecimento.
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