
Profissionais da vigilância à saúde de municípios do Grande Recife estão fazendo busca em hospitais de emergência para identificar crianças com sinais de sarampo. A medida está sendo adotada depois que a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou cinco casos da doença a partir de março, nas cidades de Paulista (2), Cabo de Santo Agostinho (2) e Olinda (1). No Recife, até agora são 21 suspeitas em investigação, de crianças de cinco meses a 13 anos de idade.
“Elas apresentaram, entre final de março e início de maio, sintomas como febre, exantema (manchas avermelhadas na pele), tosse, coriza, vômito e conjuntivite, sendo atendidas e algumas internadas em hospitais públicos e privados”, diz nota divulgada pela Secretaria de Saúde do Recife, a partir de pedido de informação feito pelo JC. Amostras de sangue, urina e secreção nasal estão sendo analisadas no Laboratório Central de Pernambuco (Lacen) e na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. “Até o momento, ainda não temos os resultados finalizados”, completa o informe da secretaria da capital.
A Secretaria Estadual de Saúde não admite surto ainda. A diretora de Controle de Doenças e Agravos da SES, Roselene Hans, aguarda resultado de exames para dar um parecer definitivo sobre o ressurgimento da doença evitável, que pode matar. Por enquanto os casos são considerados importados e referentes a quem não estava com esquema completo da vacina. Segundo Roselene, foi possível isolar o genótipo do vírus que atingiu dois doentes e eles são iguais aos que circulam na Inglaterra, China e Estados Unidos. Isso pode indicar que a transmissão foi por contato com viajante brasileiro ou estrangeiro. Em 2012, Pernambuco registrou um caso da virose, também considerado importado.
Em Paulista, onde foram confirmados dois casos de sarampo, justamente esses com isolamento do vírus, o secretário municipal de Saúde, Alberto Lima, informa que há oito suspeitas em investigação. “Na busca ativa, na Policlínica Torres Galvão e na UPA de Paulista, consideramos suspeitas crianças com sinais de virose e manchas vermelhas na pele”, explica. Familiares e pessoas que tiveram contato com os doentes foram vacinados. As crianças que adoeceram eram irmãs. A mais nova, de 1 ano e dois meses, não tinha sido vacinada. E a mais velha, de 3 anos, tinha tomado apenas uma das duas doses recomendadas.
“A situação está sob controle, pois estamos fazendo as barreiras diante de casos suspeitos”, esclarece Lima. Ele pede, no entanto, atenção dos pais e dos médicos a sinais característicos da doença, que são febre, tosse, coriza e manchas vermelhas na pele.
Roselene Hans conta que informes técnicos foram lançados aos municípios, para que intensifiquem a vigilância à doença. Casos suspeitos devem ser comunicados imediatamente ao Estado, por meio de formulário próprio, pelo e-mail notifica@gmail.com ou por telefone (ver quadro ao lado). Não há mortes registradas oficialmente.
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