
O militar da reserva Rui Ferreira da Silva, 65 anos, abriu uma cruzada para tentar restaurar a antiga Capela de Nossa Senhora das Mercês, na área rural de Ipojuca, município do Grande Recife. Provavelmente construída no século 19, a igreja corre o risco de desmoronar e não tem nenhum tipo de proteção.
“É dever de todos ajudar a resguardar um bem de valor histórico e cultural, sendo ele tombado ou não”, declara Rui Ferreira. Com base nesse argumento, ele acionou a Assembleia Legislativa de Pernambuco, que fez um apelo ao governador Paulo Câmara para que o Estado providencie a restauração e preservação do imóvel.
No mesmo documento, assinado pelo deputado Pedro Serafim Neto, a Assembleia faz igual recomendação ao secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e presidente da empresa Suape, Thiago Norões. A capela ficava nas terras do Engenho Mercês, que agora pertencem a Suape.
Ex-morador de Nossa Senhora do Ó, na mesma região, Rui Ferreira tem o apoio de três amigos na defesa da igreja. Ele está fazendo pesquisas para levantar a história do templo católico, que já existia em 1863. “Ainda não encontrei a data de construção”, comenta.











“Sabemos que em 1863 o bispo diocesano dom João Marques Perdigão crismou 20 pessoas na capela e que em 1859 dom Pedro II, numa viagem a Pernambuco, pernoitou na casa de vivenda do proprietário do engenho e acompanhou a missa na igreja”, diz.
A visita está registrada no diário do imperador, acrescenta Rui Ferreira. Na época, o engenho pertencia a Manoel José da Costa (1809-1883), o Barão de Mercês. A capela teve as telhas do tipo canal trocadas pelo modelo brasilit, as paredes estão sujas, com tijolos expostos, rachadas e mofadas. Um pedaço da calçada desabou e o teto está esburacado.
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Genildo de Moraes, 48, nascido e criado na comunidade Mercês, em volta da capela, disse que o prédio está sem uso há quatro anos. “Eu mesmo limpava, comprava tinta e fazia mutirão para pintar a igreja para a festa religiosa, de ano em ano. Mas o padre, que deveria ser o mais interessado, não vinha, então parei de ajeitar.”
Os 23 sítios próximos da igreja foram notificados por Suape e as famílias serão indenizadas. “Ninguém vai ficar aqui, não creio que a capela volte a funcionar”, comenta Genildo. “O foco, no momento, é a preservação do imóvel, mas como há a intenção da Petrobrás de implantar um museu arqueológico na área de Suape, esse centro poderia ser construído junto da capela, pelo valor histórico e cultural da edificação”, sugere Rui Ferreira da Silva.
“Seria interessante recuperar e preservar a igreja, a edificação faz parte da história de Ipojuca”, ressalta Rui Pereira. Ele enviou ofício à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e vai fazer o mesmo com a Arquidiocese de Olinda e Recife, pedindo ajuda para salvar o templo. “O prédio não tem tombamento e não pertence à arquidiocese, mas estou apelando a todos”, justifica.
A Capela de Nossa Senhora das Mercês fica a 300 metros da PE-09, na entrada do quilômetro 45 da rodovia. A empresa Suape disse que o terreno pertence à Usina Salgado. A usina informou a Rui Ferreira que não responde mais pela área.