Doença do passado, associada à pobreza, falta de saneamento e educação, o tracoma pode estar ainda entre os recifenses, causando cegueira. Para saber a dimensão do problema, começa amanhã, no Coque, na Joana Bezerra, área central do Recife, censo nacional para investigar em regiões de maior vulnerabilidade social essa espécie de conjuntivite ampliada e crônica. Cerca de 68 mil pessoas serão examinadas em Pernambuco, informa a unidade local da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo trabalho financiado pelo Ministério da Saúde em R$ 1,1 milhão.
"Além do Recife visitaremos 71 cidades no Estado. Acredita-se que a doença, negligenciada por décadas, esteja disseminada", explica Giselle Campozana, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do estudo nacional que dará resultado em oito meses. A ação apoia o plano federal de eliminar até 2015 o tracoma como forma de cegueira. Há apelo da OMS para que a eliminação ocorra até 2020. O ideal é que menos de 5% das crianças de 1 a 9 anos tenham a infecção.
Peixinhos, em Olinda, Muribeca e Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, estão entre os 98 lugares que serão visitados pelos pesquisadores em Pernambuco. Há também municípios do Sertão, Agreste e Zona da Mata. O censo engloba também o Tocantins, no Norte. Nessas áreas selecionadas, 50% dos domicílios têm renda domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo e 95% não têm abastecimento de água regular. Serão examinadas famílias com crianças de 1 a 9 anos de idade, faixa etária com maior incidência da forma inflamatória e transmissível. Serão observadas ainda a triquíase tracomatosa (cílios invertidos em atrito com o globo ocular) e a cegueira.
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