Aumento do uso da inteligência artificial redefine o mercado jurídico e potencializa democratização do acesso à Justiça
Ferramentas especializadas, alimentadas com informações jurídicas como legislação, jurisprudência e doutrina, são diferencial na tecnologia
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Cerca de 77% dos profissionais do Direito são usuários frequentes da inteligência artificial generativa na rotina profissional, utilizando-a ao menos uma vez por semana. Os dados são do Relatório sobre o Impacto da IA no Direito — Edição 2026, e revelam ainda que houve aumento de 22% do uso frequente dessas ferramentas (o número era de 55% na edição 2025).
O levantamento mostra que o uso da IA no Direito não faz parte apenas do futuro, mas já é realidade no presente. Ainda de acordo com o relatório, elaborado pela Trybe, Jusbrasil e ITS Rio, em conjunto com as OABs de SP, PR, BA, GO, PE e ES, os usos mais comuns pelos advogados são para a elaboração de peças processuais; pesquisa jurídica; redação de pareceres; análise e revisão de contratos; entre outros.
Conhecido e utilizado por advogados e estudantes de Direito de todo o Brasil, o Jusbrasil lançou, há um ano, o Jus IA, inteligência artificial especializada utilizada por cerca de 300 mil advogados mensalmente. Ao longo desse tempo, a ferramenta evoluiu, ganhou mais adeptos e funcionalidades. No Jusbrasil Experience, evento realizado nesta semana no Masp, em São Paulo, o Jus IA foi considerado uma inovação transformacional, além de um marco histórico que muda a maneira que o Direito é construído.
Desde que foi criado, em 2008, o Jusbrasil costumava ser utilizado como uma grande biblioteca jurídica digital. Com as novas funcionalidades integradas ao Jus IA, a jurisprudência foi unida aos outros dois pilares do Direito: legislação e doutrina, fazendo com que a ferramenta se tornasse um agente ativo no fluxo de trabalho do advogado, automatizando desde a pesquisa, passando pela confecção de peças, monitoramento dos processos e sugestões para os passos seguintes.
Mais do que um chatbot, o Jus IA traz uma lógica de casos, que podem ser catalogados no ambiente de trabalho virtual do advogado. O Jus IA contribui para o raciocínio jurídico do profissional, com a indicação do conteúdo que integra a base de dados construída ao longo dos anos pelo Jusbrasil e trazendo sugestões de forma proativa.
"O Jus IA, e eu posso falar das inteligências artificiais em geral, trazem um ganho de produtividade muito alto e muito relevante, e um ganho de qualidade também muito relevante. Para mim, isso se reverte em mais acesso à Justiça e maior qualidade da Justiça", comenta o CEO do Jusbrasil, Rafael Costa.
Costa menciona que ferramentas especializadas, como o Jus IA, são um diferencial e tornam a advocacia mais igualitária. "[No futuro] não haverá tanta diferença por ausência da paridade de armas e de recursos, como existe hoje. Eu acho que isso nivela o jogo entre advogados com clientes de menor e maior poder econômico. E eu acredito que isso também vai ampliar o acesso a serviços advocatícios, porque o advogado que está ali na ponta agora também fica mais seguro para atuar em muitas outras áreas de forma muito mais eficiente", defende.
Redução de "alucinações" e preocupação com a segurança de dados
Quando se fala em inteligência artificial, questões como risco de "alucinações" - como são chamadas as falhas nas quais a IA generativa fornece informações incorretas ou distorcidas - e à segurança de dados são preocupações comuns.
O Jusbrasil afirma que o Jus IA tem a menor taxa de alucinação do mercado, entre 4 e 5%, que representa de 40 a 50% abaixo das principais IAs generativas do mercado. A possibilidade de ocorrer alucinações é considerada inevitável, porém, com a resposta dada a partir do acervo jurídico, o risco diminui. Além disso, o próprio advogado pode conferir as fontes na plataforma.
Já com relação à proteção de dados, a gerente sênior jurídica em Proteção de Dados, Propriedade Intelectual e Compliance do Jusbrasil, Juliana Ruiz, afirma que há uma diferenciação na arquitetura do produto para proteger as informações dos clientes.
"Os dados públicos, referentes a decisões judiciais e afins, ficam em uma parte da arquitetura separada dos dados que são imputados pelos clientes. Uma vez que os dados dos clientes entram no nosso ambiente, um cliente não tem acesso aos dados do outro, por questões de arquitetura, fica apartado", explica.
"A finalidade do armazenamento e uso desses dados é apenas para o aprimoramento do produto. Eventualmente, fazemos uma análise amostral dos outputs (saídas) do Jus IA para verificar se as respostas estão corretas, analisando também o feedback dos usuários. Não há um tratamento massivo de dados ou compartilhamento para outras finalidades. Então, são essas as medidas que tomamos neste momento para endereçar as preocupações de privacidade", complementa. Ela pontua ainda que o usuário pode excluir as informações de forma permanente, a qualquer momento.
Lançamento de aplicativo e ampliação no acesso
Durante o Jusbrasil Experience, a legaltech anunciou a integração do Jus IA a todos os planos oferecidos pela plataforma, como forma de ampliar o acesso à ferramenta. Antes utilizado apenas para consulta, o Jusbrasil, através do Jus IA, se torna um ambiente de trabalho virtual.
Para a diretora de Produto no Jusbrasil, Daniela Panteliades, com a tecnologia, o advogado economiza tempo com tarefas mecânicas e ganha mais disponibilidade para entender o que o cliente precisa e construir a melhor estratégia para defender os direitos deles.
"A inteligência artificial é o nosso motor, mas o piloto dessa nave continua sendo cada advogado e advogada desse País. Nós não estamos aqui para substituir o talento, não. Nós estamos aqui para potencializar esse talento", destacou.
No evento, foi lançado ainda o novo aplicativo Jus IA, que permite que documentos, áudios e mensagens enviadas por WhatsApp, por exemplo, sejam compartilhadas diretamente para análise, fazendo com que a resposta seja mais rápida, dando mais agilidade ao trabalho fora do escritório.
Outra novidade é a integração, no Jus IA, da jurisprudência com a doutrina e a legislação, no mesmo ambiente, facilitando o fluxo de trabalho do advogado, que pode pesquisar e elaborar peças na plataforma.
O acompanhamento processual, que já existia no Jusbrasil, tem no Jus IA um aumento de proatividade, com o envio de notificações e sugestões de como o advogado pode seguir os próximos passos, evitando a necessidade de buscas manuais. Os dados públicos são incorporados ao ambiente do advogado, atualizados em tempo real e estruturados para análise.
Além disso, foram anunciadas no evento parcerias com a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório de Inovação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com o objetivo de levar o Jus IA para os estudantes de Direito e os núcleos de prática jurídica.
Serviço: como obter acesso ao Jus IA
Quem já é assinante agora conta com acesso ao Jus IA sem custo adicional, de forma automática. A ferramenta pode ser acessada através do site: ia.jusbrasil.com.br. No caso de novos assinantes, qualquer plano pode ser testado por R$ 1,90 no primeiro mês. Os planos variam entre R$ 78,90 e R$ 208,90 por mês, com desconto para a assinatura anual.
Além disso, todos os planos do Jusbrasil incluem a ferramenta: o Essencial oferece 30 mensagens por mês no Jus IA, 10 uploads de documentos, 10 casos com memória e três consultas mensais ao acervo de Doutrina; o Profissional amplia os limites para 150 mensagens, 50 uploads, 50 casos com memória, Doutrina ilimitada e acesso a notícias jurídicas curadas; já o plano Premium inclui uso ilimitado do Jus IA, insights processuais, notificações processuais, suporte prioritário e acesso antecipado a novos lançamentos.
*A jornalista participou do evento a convite do Jusbrasil