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Cão Orelha: o que se sabe sobre o caso do cachorro que morreu após ser atacado por adolescentes em Santa Catarina

Animal era cuidado pela comunidade da Praia do Brava há 10 anos; caso envolve tentativa de coação a testemunha e agressão a outro cão

Por Cristiane Ribeiro Publicado em 28/01/2026 às 10:02

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Ao menos quatro adolescentes são investigados pela Polícia Civil de Santa Catarina por suspeita de envolvimento nas agressões que resultaram na morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis.

O caso provocou mobilizações populares, manifestações de artistas e abriu apurações paralelas sobre uma possível tentativa de afogamento de outro cachorro e coação a testemunha.

O que aconteceu com Orelha

De acordo com relatos de moradores, Orelha, que morava há cerca de 10 anos na Praia Brava, havia desaparecido da região. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam do animal o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando.

Ele foi levado a uma clínica veterinária, mas, em razão da gravidade dos ferimentos e do estado de sofrimento do animal, a equipe optou pela eutanásia.

Adolescentes envolvidos na agressão

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, utilizou suas redes sociais para informar sobre o caso. De acordo com ele, o laudo apontou que Orelha sofreu ferimentos com um objeto contundente.

A PC-SC identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões que levaram à morte do animal. Na manhã da última segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e aos responsáveis legais.

Segundo o delegado, dois dos adolescentes estão em Florianópolis e foram alvos da operação, enquanto outros dois estão nos Estados Unidos em uma viagem "pré-programada", conforme informou em publicação nas redes sociais.

Tentativa de afogamento de outro cão

Reprodução
Cão Caramelo, vítima de tentativa de afogamento na Praia Brava, em Santa Catarina - Reprodução

Além da morte de Orelha, a Polícia Civil também investiga um segundo episódio envolvendo um cachorro conhecido como Caramelo, que costumava circular pela Praia Brava ao lado de Orelha.

Ainda de acordo com as publicações de Ulisses, o animal teria sido levado ao mar pelos mesmos adolescentes, mas conseguiu escapar. Após o episódio, Caramelo foi adotado pelo próprio delegado Ulisses.

Tentativa de coação

Também é apurada a suspeita de coação a uma testemunha durante o andamento da investigação. De acordo com o delegado-geral, um dos mandados teve como objetivo localizar uma possível arma de fogo que teria sido usada para ameaçar essa pessoa, mas o objeto não foi encontrado.

"Há um indicativo de que três adultos que estariam envolvidos na prática de uma coação no curso do processo decorrente da investigação", afirmou Ulisses Gabriel.

Nas redes sociais, foi comentado pelos internautas que um policial civil teria tido participação nesse episódio. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, informou que a denúncia do envolvimento do agente no crime em si não procede, mas confirmou que a suposta coação segue sendo analisada.

O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o caso por meio das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude e do Meio Ambiente da Capital, com novas oitivas previstas.

Quem era Orelha

A Praia Brava abriga três casinhas destinadas a cães comunitários que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles e recebia cuidados frequentes dos moradores.

Por meio de nota, a Associação Praia Brava (APBrava) destacou o vínculo afetivo com o animal: "Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade".

O texto definiu o cão como "um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem", e lamentou o ocorrido.

Desde a morte do cachorro, moradores, protetores independentes, ONGs e entidades ligadas à causa animal realizaram manifestações na Praia Brava e campanhas nas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também se pronunciou nas redes sociais, afirmando que determinou investigação imediata após tomar conhecimento do caso. "As provas já estão no processo e me embrulharam o estômago", escreveu.

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