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TRF-1 revoga prisão de Daniel Vorcaro, do Banco Master; entenda o caso

Soltura de Vorcaro ocorre após desembargadora avaliar que não houve risco de fuga e que medidas cautelares são suficientes no caso Master

Por JC Publicado em 29/11/2025 às 8:54

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*Com informações de Estadão Conteúdo

A prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e investigado no caso envolvendo o Banco Master, foi revogada pela desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

A soltura também alcança outros quatro investigados. A decisão reconsidera um despacho anterior da própria magistrada, que havia autorizado a prisão preventiva.

Segundo a decisão, a desembargadora avaliou que os crimes atribuídos ao grupo “não envolvem violência ou grave ameaça” e que não há demonstração de “periculosidade acentuada”.

Ela também afirmou que eventuais riscos à aplicação da lei penal podem ser mitigados com medidas cautelares alternativas, como retenção de passaporte e monitoramento eletrônico.

A magistrada destacou ainda que, apesar de Vorcaro ter sido preso no Aeroporto de Guarulhos, quando embarcaria em um voo internacional, a viagem estava previamente justificada — ponto que pesou para afastar a interpretação de tentativa de fuga.

Quem é a desembargadora responsável pela decisão

A autora do despacho, Solange Salgado, integra o TRF-1 desde 1992 e tem uma trajetória extensa no Judiciário e no Ministério Público. Formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes (1985), possui pós-graduações em instituições de Brasília e mestrado em Direito Penal.

Antes de chegar ao tribunal, foi promotora de Justiça em Minas Gerais, defensora pública no Rio de Janeiro e juíza do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na Justiça Federal, atuou em seções judiciais do Maranhão e do Distrito Federal, além de ter exercido funções administrativas e ter sido convocada diversas vezes para atuação no próprio TRF-1.

Entenda o caso

As prisões ocorreram no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular uma suposta organização criminosa responsável por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Segundo as investigações, a cúpula do Banco Master é suspeita de gestão fraudulenta e temerária, envolvendo a emissão de títulos de crédito falsos — conhecidos como "títulos podres" — para inflar artificialmente os balanços da instituição e maquiar um rombo estimado em R$ 12 bilhões.

A ação policial foi precipitada pela detecção de uma movimentação atípica de Daniel Vorcaro. O banqueiro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos momentos antes de embarcar para Dubai, o que foi interpretado inicialmente pelas autoridades como uma tentativa de fuga, justificando a prisão preventiva para garantia da ordem pública e da aplicação da lei penal.

O caso também culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, devido ao comprometimento grave da situação econômico-financeira da instituição.

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