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Braskem fecha acordo de R$ 1,2 bilhão por desmoronamentos em Maceió

De acordo com a empresa, valor será pago ao longo de dez anos e R$ 139 milhões já foram desembolsados. Acordo ainda precisa de homologação judicial

Por Agência Brasil Publicado em 11/11/2025 às 9:37

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A Braskem anunciou um acordo com o estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas ao desmoronamento do solo em bairros da capital, Maceió. O desastre foi causado pela extração de sal-gema desenvolvida pela companhia e afetou cinco bairros da região.

Milhares de imóveis tiveram a estrutura comprometida e a estimativa é de que mais de 60 mil pessoas tenham sido impedidas de morar na área por questões de segurança.

O valor será pago ao longo de dez anos e R$ 139 milhões já foram desembolsados, segundo informou a empresa em comunicado a investidores na noite da última segunda-feira (10).

“O saldo deverá ser quitado em dez parcelas anuais variáveis corrigidas, principalmente após 2030, considerando a capacidade de pagamento da Companhia”, detalha o comunicado.

Segundo a Braskem, o acordo estabelece a compensação, indenização e ressarcimento ao estado para a “reparação integral de todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial”. O ajuste prevê ainda a extinção de ação do governo do estado contra a companhia. O acordo entre as partes precisa ainda de homologação judicial.

“A celebração do acordo representa um significativo e importante avanço para a companhia em relação aos impactos decorrentes do evento geológico em Alagoas”, diz a empresa.

Milhares de atingidos

O acidente geológico em Maceió gerou danos para o município a partir de 2018. A exploração do mineral sal-gema causou a instabilidade no solo, fazendo com que houvesse afundamento nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol.

As consequências se arrastaram por anos, e, em novembro de 2023, a prefeitura da capital alagoana precisou decretar estado de emergência por risco de colapso em uma das minas de sal-gema.

A Defesa Civil de Maceió acompanhava dia a dia a magnitude do afundamento do solo. A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação sobre o caso e indiciou 20 pessoas em novembro do ano passado. O inquérito foi encaminhado para a 2ª Vara Federal de Alagoas.

Em julho de 2025, a Defensoria Pública de Alagoas pediu indenização de R$ 4 bilhões para compensar desvalorização de imóveis de moradores de bairros vizinhos ao evento geológico.

Braskem

A Braskem é uma companhia controlada pela Novonor (antiga Odebrecht) e tem também a Petrobras, com 47% das ações com poder de voto.

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