Porto de Galinhas 40 anos atrás: como um hotel mudou o destino do litoral pernambucano
A trajetória do Solar confunde-se com a própria história de sucesso de Porto de Galinhas, que hoje recebe cerca de 1,2 milhão de turistas anualmente
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Em sete de fevereiro de 1986, o cenário do litoral sul de Pernambuco era drasticamente diferente do que se conhece hoje. Naquela época, Porto de Galinhas era apenas uma pacata vila de pescadores no município de Ipojuca, frequentada por visitantes que realizavam passeios de um dia e retornavam ao Recife antes do anoitecer. A inauguração do Hotel Solar rompeu esse ciclo, tornando-se o primeiro empreendimento de hospedagem organizada da região e estabelecendo os alicerces para a transformação da vila em um dos principais polos turísticos do Brasil.
O investimento inicial foi um ato de coragem em um período onde não havia demanda consolidada ou infraestrutura básica para o setor. O hotel apostou na experiência "pé na areia" e na permanência prolongada do turista, o que acabou por dinamizar o comércio local e atrair novos investimentos para a cadeia produtiva. O diretor comercial do hotel, Otaviano Maroja, recorda que a visão de seu pai foi o motor inicial desse processo.
“A decisão de investir aqui, nos anos 80, foi vista como ousada, mas o meu pai, Artur Maroja, um veranista da então desconhecida Porto de Galinhas, que nada entendia de turismo, acreditou no potencial do destino. Ao estimular a permanência dos visitantes, ajudamos a movimentar o comércio local e a fortalecer toda a cadeia do turismo”, destaca.
QUATRO DÉCADAS EM PORTO
Ao longo de quatro décadas, o perfil do público acompanhou a evolução do hotel. Se nos primeiros anos os hóspedes eram majoritariamente recifenses, a visibilidade crescente do destino atraiu brasileiros de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de consolidar um fluxo internacional constante vindo de países como Argentina, Chile e Portugal. Esse crescimento foi amparado por uma estrutura que hoje conta com 140 acomodações em uma área de 8 mil metros quadrados, mantendo o equilíbrio entre a tradição e a modernidade exigida pelo mercado atual.
A trajetória do Solar confunde-se com a própria história de sucesso de Porto de Galinhas, que hoje recebe cerca de 1,2 milhão de turistas anualmente e oferece aproximadamente 20 mil leitos. O destino acumulou títulos importantes, como o de melhor praia do Brasil por dez vezes consecutivas e o reconhecimento global de hospitalidade, ocupando a 8ª posição entre os destinos mais acolhedores do mundo no Traveler Review Awards de 2023.
Para as lideranças do setor, o papel do Solar foi fundamental para que esses números fossem alcançados. Eduardo Tiburtius, presidente da Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas (AHPG), reforça que o empreendimento é um símbolo da resiliência regional. “Os 40 anos do Solar representam a história do próprio crescimento de Porto de Galinhas. O empreendimento ajudou a impulsionar o turismo e a consolidar o destino como uma das principais referências do Brasil e do mundo em hospitalidade e lazer”, afirma.
Com uma permanência média de 5,3 dias por visitante, o balneário demonstra vitalidade econômica e capacidade de retenção, resultados que validam a aposta feita há quarenta anos. Para a família Maroja, a data é um momento de reflexão sobre o impacto social e econômico causado por aquele primeiro passo em 1986. Segundo Otaviano Maroja, o sentimento é de dever cumprido e otimismo renovado. “Celebrar 40 anos é celebrar a própria evolução de Porto de Galinhas. Crescemos junto com o destino e continuamos acreditando no seu potencial para as próximas gerações”, afirma Maroja.