Saída de Yuri Romão do Sport: o que diz o Estatuto? Tem novas eleições? Entenda
Presidente anunciou que deixará o cargo em 31 de dezembro; pelo estatuto, vice-presidente deve assumir interinamente até escolha do novo mandatário
Clique aqui e escute a matéria
Nesta sexta-feira (14), a Ilha do Retiro ferveu com a notícia de que o presidente Yuri Romão vai deixar o cargo no fim do ano. A decisão dele de deixar o comando do Sport no dia 31 de dezembro de 2025, antes de cumprir metade do mandato, deve provocar eleição no clube, conforme previsto o estatuto rubro-negro.
De acordo com o texto estatutário, aprovado em 2024, caso a vacância ocorra antes de alcançada a metade do mandato, o vice-presidente assume provisoriamente e o Conselho Deliberativo deve convocar nova eleição no prazo máximo de 15 dias para escolher o novo presidente, que completará o período restante do mandato. Yuri mesmo usou o termo "mandato tampão" para se referir a isso.
“Ocorrendo a vacância do cargo de Presidente [...] antes de alcançada a metade do mandato, será realizada eleição específica para tal cargo, no prazo máximo de quinze dias, e a substituição pelo Vice-Presidente será provisória, até a posse do eleito, que terá exercício pelo tempo remanescente à conclusão do mandato originário.” — diz o §1º do artigo 87.
Yuri, contudo, não quis deixar claro sobre esse processo. Ele evitou falar a palavra renúncia e ainda pontuou que esse trâmites são com o conselho do clube. Ou seja, não deixou explicado como será a sequência da sua saída. Apenas disse que fica até 31 de dezembro de 2025. Isso nos leva a crer que o cargo ficará vago a partir de 2026 e a convocatória de eleições diretas para cumprir o mandato dele até o fim de 2026.
Ainda segundo o estatuto, se a saída ocorresse após a metade do período, o vice-presidente, que no caso é Raphael Campos, permaneceria no cargo até o fim do mandato, sem necessidade de novo pleito. Isso se Campos aceitasse tal mandato. Esse prazo é 4 de janeiro.
Aí que mora a grande questão. Se isso ocorrer, poderia haver a possibilidade de Raphael Campos se licenciar do cargo, abrindo margem pro Conselho Deliberativo do clube convocar uma eleição indireta por no máximo seis meses, segundo o novo estatuto do clube. Essa hipótese foi apurada pelo Blog do Torcedor nessa quinta-feira, como sendo uma alternativa viável entre as lideranças do clube e evitar eventuais bate-chapa. Nada, porém, foi confirmado oficialmente por Yuri.
Lembrando que no estatuto não existem artigos que falam sobre antecipar eleições do clube por ato próprio. O cargo precisa ficar vago - seja por renúncia ou licença - para que haja um pleito.
Yuri Romão assumiu o Sport em 2022, após renúncia de Leonardo Lopes, e foi reeleito em 2022 e em 2024, iniciando novo ciclo em janeiro de 2025. Sua gestão, portanto, deveria se estender até dezembro de 2026. Com o anúncio de que deixará o cargo ainda no primeiro ano do mandato, o clube precisará cumprir o rito estatutário e realizar uma nova eleição para definir o sucessor.
A tendência é que o processo seja conduzido pelo Conselho Deliberativo, que também ficará responsável por homologar a transição e supervisionar o período interino do vice-presidente.
A saída ocorre em meio a uma das temporadas mais turbulentas da história recente do Sport, marcada por crise técnica, rebaixamento iminente e instabilidade financeira e política nos bastidores da Ilha do Retiro.