Thairo Arruda detalha planos da SAF do Santa Cruz e projeta redução da dívida em três anos

Novo CEO coral explicou modelo de aportes, obrigações previstas no contrato e estratégia para reduzir o passivo de R$ 350 milhões

Por Thiago Seabra Publicado em 11/09/2026 às 14:51 | Atualizado em 11/09/2026 às 16:22

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O novo CEO da SAF do Santa Cruz, Thairo Arruda, detalhou nesta sexta-feira (12) os principais pontos do projeto que será colocado em prática no clube. Em entrevista realizada à tarde, o executivo falou sobre a estrutura financeira da SAF, o contrato firmado com o Santa Cruz e o plano para enfrentar o elevado passivo do clube.

Segundo Thairo, a estratégia não será baseada apenas em colocar dinheiro no futebol para buscar resultados imediatos. Para ele, um dos principais problemas da indústria é justamente a priorização de investimentos de curto prazo em busca de acesso, títulos ou classificação para competições internacionais.

Thairo critica busca por resultados imediatos no futebol

Ao explicar a filosofia que pretende implementar no Santa Cruz, Thairo afirmou que a pressão por resultados esportivos imediatos costuma levar clubes a ultrapassarem seus limites financeiros.

“É sempre aquela ânsia de curto prazo de investir em atleta para poder subir de divisão, não cair de divisão, ser campeão ou se classificar para a Libertadores”, afirmou.

Na avaliação do CEO, esse comportamento não é exclusivo do futebol brasileiro. Ele classificou o problema como uma característica disseminada na indústria mundial e defendeu uma gestão baseada em responsabilidade financeira.

Contrato da SAF mantém previsão de R$ 1 bilhão

Um dos pontos esclarecidos por Thairo foi a estrutura financeira do acordo com o Santa Cruz. Segundo ele, a cláusula que prevê R$ 1 bilhão ao longo de 15 anos permanece no contrato, assim como os aportes garantidos.

O executivo explicou, porém, que o valor efetivamente aportado em cada período dependerá das obrigações previstas no acordo e da capacidade de gestão da SAF. Entre os compromissos estão investimentos no Arruda, no Centro de Treinamento e o cumprimento de orçamentos mínimos anuais.

“O valor de aporte depende, porque eu tenho que cumprir todas as obrigações. Para cumprir com as obrigações, eu necessitar trazer mais 10, 20 ou 30, 40 ou 50 milhões em um ano ou em outro ano, eu não sei. Vai depender das obrigações e da nossa capacidade de gestão”, explicou.

“Quanto mais capacidade nós temos de atingir esses objetivos contratuais, essas obrigações sem necessidade de aporte, é melhor para todos”, afirmou.

SAF terá plano para reduzir dívida do Santa Cruz

O passivo do Santa Cruz também foi um dos principais assuntos abordados pelo novo CEO. De acordo com Thairo, o clube possui atualmente cerca de R$ 350 milhões em dívidas, e a nova gestão já trabalha em estratégias diferentes para cada tipo de débito.

Entre as medidas citadas estão negociações envolvendo o passivo tributário federal e municipal, além do processo de recuperação judicial. Thairo explicou que a SAF já iniciou conversas com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para avaliar possibilidades de transação tributária, redução e alongamento dos pagamentos.

Também houve contato com o município para discutir alternativas relacionadas aos débitos municipais. Já os processos que tramitam na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) exigem uma abordagem diferente, segundo o executivo.

“Os demais passivos nós temos estratégia para todos. (...) Nós temos um plano robusto mesmo de trabalhar esse passivo, reduzir”, afirmou Thairo.

Meta é reduzir passivo para R$ 33 milhões

O principal objetivo apresentado pelo CEO é reduzir de forma significativa o endividamento do Santa Cruz nos próximos anos. Thairo estabeleceu como meta sair dos atuais R$ 350 milhões para R$ 33 milhões em três anos.

Para o executivo, a recuperação financeira precisa ser tratada como um projeto de longo prazo, sem deixar que a busca por resultados esportivos imediatos comprometa o processo de reconstrução.

“É uma maratona, eu falo. É a gente estar vivendo aqui, iniciando agora um ciclo olímpico”, declarou.

“As glórias, os resultados esportivos vão chegar naturalmente se a gente fizer isso aqui bem feito, esse trabalho bem feito de reestruturação financeira do clube”, concluiu.

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Thiago Seabra

tlaranjeira@jc.com.br

Jornalista esportivo no Blog do Torcedor, do Jornal do Commercio, cobrindo futebol local e outros esportes. Atuou também no Projeto Comprova, iniciativa de verificação de fatos que busca oferecer ao público uma compreensão confiável dos acontecimentos.