Futebol, saúde e inclusão: torcidas de Sport, Santa Cruz e Náutico se unem em projeto de cannabis medicinal para autistas
"Aliança das Torcidas" deixa a rivalidade de lado para garantir consultas e óleo terapêutico gratuito a famílias atípicas sem condições financeiras
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Uma parceria inédita no futebol pernambucano está utilizando a união das arquibancadas para transformar vidas por meio da saúde. Lançado oficialmente nesta segunda-feira (13) — data em que a associação Aliança Medicinal comemora cinco anos de fundação — o projeto Aliança das Torcidas passou a oferecer tratamento gratuito com cannabis medicinal para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
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A iniciativa é fruto da cooperação entre a associação, o médico de família Dr. Leandro Ferro e as torcidas neurodivergentes do "Trio de Ferro" do estado: Autistas da Ilha (Sport), Autistas do Arruda (Santa Cruz) e Timbú Neuro (Náutico), que juntas integram a Arquibancada Autista de Pernambuco.
O acolhimento social e o tratamento personalizado
O pontapé inicial do projeto ocorreu na sede da Aliança Medicinal, em Olinda (PE), com o acolhimento de nove famílias que não possuem condições financeiras para arcar com os custos do tratamento. Três integrantes de cada uma das torcidas receberam consultas médicas individualizadas e ganharam acesso gratuito ao óleo terapêutico à base de cannabis.
De acordo com o Dr. Leandro Ferro, prescritor e defensor da terapia canábica, o medicamento atua diretamente na melhoria do dia a dia dos pacientes e de seus núcleos familiares:
"No autismo, a cannabis medicinal atua na redução de agitação, da agressividade e outros aspectos, e traz qualidade de vida ao paciente e às pessoas que cuidam dele", explicou o médico.
O objetivo do projeto também é democratizar a informação científica e combater o preconceito, mostrando a eficácia do tratamento não apenas para o autismo, mas para condições como TDAH, Alzheimer, epilepsia e depressão.
Rivalidade de lado pela inclusão
Fora dos gramados, as torcidas rivais dão um exemplo de união. Para Eduardo Pedrosa, fundador e presidente da torcida Autistas da Ilha, o projeto representa um marco social em Pernambuco e reforça que a solidariedade está acima do futebol.
"As três torcidas, mais uma vez, estão dando as mãos e levando para as famílias atípicas uma oportunidade de tratamento para seus filhos, sobrinhos, netos. Rivalidade só existe dentro das quatro linhas; para a inclusão, a rivalidade leva cartão vermelho", afirmou Pedrosa.
A trajetória da Aliança Medicinal
A Aliança Medicinal, primeira fazenda urbana de cannabis medicinal do Brasil, nasceu da união entre a engenharia agronômica de Ricardo Hazin Asfora e a busca incansável de uma mãe, Hélida Lacerda, pela saúde do filho, Anthony, que sofria de epilepsia refratária. O sucesso do tratamento do garoto motivou a criação da associação, que hoje atende cerca de 17 mil pacientes em todo o país.
O modelo de cultivo indoor (em ambiente controlado e altamente tecnológico) garante a padronização e a qualidade exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em fevereiro deste ano, o trabalho da associação ganhou um importante respaldo jurídico: uma sentença do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) garantiu a legalidade definitiva para o cultivo, produção e distribuição dos medicamentos.
"Garantir o acesso à terapia com cannabis medicinal é o principal propósito da nossa associação", pontuou a presidente Hélida Lacerda. Com o projeto Aliança das Torcidas, esse propósito ganha as cores do futebol pernambucano, transformando a paixão do esporte em uma rede de apoio e saúde para quem mais precisa.