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Retrospectiva 2025: Relembre como foi o ano de Náutico, Santa Cruz e Sport

Entre rebaixamento histórico, acesso dramático e avanços fora de campo, Sport, Náutico e Santa Cruz viveram um 2025 de extremos em Pernambuco

Por João Victor Tavares, Luiz Antônio Sotero, Thiago Seabra Publicado em 30/12/2025 às 17:33 | Atualizado em 30/12/2025 às 17:47

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O futebol pernambucano viveu um ano de fortes contrastes em 2025. Sport, Náutico e Santa Cruz encerraram a temporada com realidades esportivas e administrativas distintas que ajudam a desenhar os rumos do futebol do Estado para 2026.

Do rebaixamento traumático à conquista de acessos e avanços estruturais, o ano ficou marcado por turbulências, superações e expectativas de reconstrução.

Sport vence o estadual, mas ano é marcado por crises

O ano de 2025 ficará registrado como um dos mais conturbados da história recente do Sport. Apesar da conquista do Campeonato Pernambucano, o clube viveu uma temporada marcada por frustrações esportivas, crise financeira e instabilidade política, que culminaram em mais um rebaixamento à Série B.

Embalado pelo acesso conquistado em 2024, o Sport iniciou o ano com investimentos elevados e discurso de ambição.

A diretoria apostou alto em contratações de impacto, como os portugueses Sérgio Oliveira e Gonçalo Paciência, além de reforços caros como Rivera, Atencio e Carlos Alberto.

Ao todo, o clube desembolsou cerca de R$ 60 milhões, elevando significativamente a expectativa da torcida.

Dentro de campo, o Estadual foi irregular. Derrotas nos clássicos contra Santa Cruz e Náutico obrigaram o Leão a disputar as quartas de final.

A reação veio no mata-mata, ao eliminar Decisão e Santa Cruz, até a final contra o Retrô, decidida nos pênaltis. O título pernambucano acabou sendo o único alento da temporada.

O cenário, no entanto, rapidamente se deteriorou. Ainda no primeiro semestre, o Sport foi eliminado de forma precoce na Copa do Brasil pelo Operário-MT, nos pênaltis, na primeira fase.

No Brasileirão, o desempenho foi histórico negativamente. O Sport virou lanterna na terceira rodada e não deixou mais a última colocação.

A crise resultou em sucessivas trocas de comando: Pepa foi demitido após derrota para o Fluminense, António Oliveira durou apenas quatro jogos, e Daniel Paulista retornou ao clube em meio ao caos.

Antes mesmo da retomada do Campeonato Brasileiro após a pausa para a Copa do Mundo de Clubes, o Leão ainda caiu nas quartas de final da Copa do Nordeste, eliminado pelo Ceará em uma noite chuvosa na Ilha do Retiro.

As vitórias no Brasileirão foram raríssimas. A primeira só veio na 19ª rodada, contra o Grêmio, e a segunda diante do Corinthians.

O rebaixamento foi confirmado em um jogo polêmico contra o Flamengo, com derrota por 5 a 1 na Arena de Pernambuco. A campanha terminou com apenas 17 pontos: 2 vitórias, 11 empates e 25 derrotas.

Fora de campo, atrasos salariais, desgaste com o elenco e forte contestação da torcida completaram o cenário de crise.

O desfecho veio com a renúncia do presidente Yuri Romão, simbolizando um ano de expectativas frustradas e a necessidade de uma profunda reconstrução para 2026, com a eleição de Matheus Souto Maior.

Náutico celebra o acesso para a Série B

Se o Sport viveu um ano traumático, o Náutico encerrou 2025 com o cumprimento de seu principal objetivo esportivo: o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.

A conquista, no entanto, veio acompanhada de desafios estruturais e de calendário para a próxima temporada.

O início do ano foi instável. Sob o comando de Marquinhos Santos, o Timbu acumulou eliminações precoces.

No Campeonato Pernambucano, caiu nas quartas de final diante do Retrô, nos pênaltis, em um jogo sem público na segunda-feira de Carnaval.

Na Copa do Nordeste, foi eliminado ainda na fase de grupos, com derrota para o Bahia. Marquinhos acabou demitido logo após a estreia na Série C, na derrota para o Itabaiana.

Na Copa do Brasil, o Náutico teve desempenho um pouco mais consistente, avançando até a terceira fase, quando foi eliminado pelo São Paulo em confrontos de ida e volta.

A virada de chave veio com a retomada do trabalho de Hélio dos Anjos. Em uma Série C marcada por altos e baixos, o Timbu mostrou poder de reação e chegou ao quadrangular final.

O acesso foi confirmado de forma dramática na última rodada, com vitória por 2 a 1 sobre o Brusque, nos Aflitos, garantida nos acréscimos com pênalti convertido por Paulo Sérgio.

Apesar da comemoração pelo retorno à Série B, o Náutico encerra o ano atento a um ponto negativo: não disputará a Copa do Nordeste nem a Copa do Brasil em 2026, o que resulta em um calendário mais enxuto e menos oportunidades de receita.

Fora de campo, o clube avançou no processo de Recuperação Judicial, com a aprovação do plano de pagamento aos credores, passo considerado fundamental para reorganizar as finanças.

Paralelamente, o debate sobre a implantação da SAF ganhou força, com propostas e interesse de investidores, mas sem definição até o fim da temporada.

Santa Cruz conquista o acesso à Série C e inicia reconstrução

O Santa Cruz viveu em 2025 um ano de contrastes entre frustrações esportivas pontuais e avanços estruturais importantes.

Apesar de ampliar para nove anos o jejum de títulos, o clube alcançou metas estratégicas que mudam o horizonte para 2026.

O início da temporada contou com o retorno de Itamar Schülle ao comando técnico. Sob sua direção, o Santa fez uma campanha sólida na primeira fase do Campeonato Pernambucano, encerrando a etapa inicial na liderança e com a melhor defesa.

O atacante Thiaguinho foi o destaque individual, terminando o ano como artilheiro coral, com dez gols.

A eliminação nas semifinais do Estadual, diante do Sport, levou a diretoria a reformular o elenco e apostar em Marcelo Cabo para a sequência da temporada.

Na Série D, o caminho foi marcado por tensão e drama. O Santa Cruz avançou em confrontos decididos nos pênaltis contra Sergipe e Altos-PI, além de uma classificação emocionante diante do América-RN.

O acesso à Série C foi comemorado na Arena de Pernambuco, diante de um público de 45.500 torcedores, o maior do clube em 2025, na final contra o Barra-SC.

Apesar da derrota e do vice-campeonato, a campanha terminou com 17 vitórias em 36 jogos.

Fora de campo, o clube seguiu enfrentando uma dura crise financeira. O processo de Recuperação Judicial avançou ao longo do ano, com dívida consolidada estimada em R$ 133,5 milhões.

Relatórios indicaram receita bruta mensal em torno de R$ 2,5 milhões, valor tratado como essencial para a manutenção das atividades.

A grande aposta coral para o futuro foi o avanço do projeto de SAF. Liderada por investidores mineiros, a proposta recebeu aval de sócios e conselheiros, representando um passo decisivo rumo à profissionalização da gestão.

A expectativa é que a nova estrutura passe a operar plenamente a partir de abril de 2026.

Entre quedas dolorosas, acessos comemorados e processos de reconstrução, 2025 foi um ano decisivo para os três grandes clubes de Pernambuco.

O cenário deixa lições, cicatrizes e, sobretudo, desafios claros para 2026, quando Sport, Náutico e Santa Cruz buscarão transformar seus aprendizados em estabilidade esportiva e administrativa.

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