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Anos 50
Atelier fez nascer o artista Samico 10/06/2008 14h15
Samico lembra com carinho de quando ia à Sociedade de Arte Moderna do Recife para bater papo, tomar um vinho. Até que, em 1952, Abelardo da Hora tomou a iniciativa de criar um espaço onde os artistas se juntassem para trabalhar. Nascia ali o chamado Atelier Coletivo, uma experiência curta, porém de intensa pesquisa e produção.
"Quem queria xumbregar o lugar não era aquele : ali era pra trabalhar", afirma José Cláudio, pintor participante do Atelier e autor do livro Memória do Atelier Coletivo (Recife, 1952-1957). Desse espaço, saíram grandes figuras das artes pernambucanas, como Ivan Carneiro, Ionaldo Cavalcanti e Ladjane Bandeira, entre outros. Segundo o própio Gilvan Samico, não fosse pelo Atelier, certamente ele teria se perdido como simples funcionário de repartição pública.
Nessa época, as artes se encontravam numa verdaderia guerra fria. Por um lado, estavam os artistas europeus individualistas e introspectivos, interessados pela novidade e as vanguardas. Mas como diz Zé Claudio, "no Atelier, ninguém curtia esse tipo de arte formalista, do cara que foi grande artista porque quebrou com as regras". Da mesma forma, o auto-retrato, o erotismo, o romantismo e qualquer tema que conotasse individualismo eram rejeitados. O Brasil foi o assunto predileto daqueles artistas, para os quais a vida individual era menos importante do que a vida do coletivo. Eles queriam criar uma arte voltada para o povo, como já estava acontecendo no México de Diego Rivera.
Os artistas se centraram nos problemas da terra e representavam sobretudo camponeses, pescadores, trabalhadores de rua. As técnicas utilizadas se inspiravam ora no muralismo mexicano, ora nas artes populares nacionais. O Atelier não era uma escola de Belas Artes, porém os artistas recebiam certa preparação técnica, sob a direção do seu "mentor", Abelardo da Hora. Assim, aprendiam a preparar a tela para pintar um quadro, exercitavam a mão e o olhar com sessões de pose-rápida. Mas, acima de tudo, mergulharam com avidez na cultura popular brasileira.
Daí surgiu o interesse de Abelardo pela gravura, técnica que apresentou para os seus colegas. Finalmente, ao ter se especializado na xilogravura, Samico, considerado erudito, ainda hoje tem uma ligação com o popular, o que constitui uma herança inegável do Atelier Coletivo. (I.H., I.V. e M.T.)
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