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Correção de fluxo

Proposta quer reduzir despesa com repetência
28/06/2007 01h21

Cláudia Vasconcelos
De Cidades/JC

Pernambuco perde, por ano, R$ 400 milhões devido a repetência e abandono escolar. Somente de 5ª a 8ª série e no ensino médio, 56% e 70% dos alunos estão fora da faixa etária da série em que estudam, respectivamente. Para tentar diminuir a distorção, a Secretaria de Educação do Estado (SE) lançou ontem a Política de Correção de Fluxo, que deverá atingir até 500 mil pessoas. A meta é sanar o problema até 2010.

A política baseia-se em programas já executados pela gestão anterior, como o Se Liga PE e o Acelera Pernambuco. Voltados para alunos do ensino fundamental de 9 a 14 anos que repetiram dois anos ou mais, terão 3 mil vagas a mais em 166 municípios, aumentando o número de estudantes para 9.500. O investimento será de R$ 26,5 milhões até 2009.

Matriculado na Escola Estadual Afrânio Godoy, na Imbiribeira, Zona Sul do Recife, o estudante Everaldo Marques, 10, fica da política. Ele cursa pela segunda vez a 4ª série. “Faltei muito e não conseguia entender as aulas. Minha mãe trabalha e não tenho quem me ajude em casa”, conta. A mãe, Maria do Carmo da Silva, 39, reconhece o erro. “Mas a escola não oferece boa estrutura. Faltam computadores e não fornecem material escolar e farda. Isso desestimula.”

Para o ensino médio, o governo estadual firmou parceria com a Fundação Roberto Marinho e implantará o programa Telecurso 2000 em agosto. Antes só disponível para o ensino fundamental, a metodologia atenderá a mais 260 mil alunos.

O secretário de Educação, Danilo Cabral, acrescentou que o Estado buscará parcerias com o governo federal. “Temos um diagnóstico escola por escola sendo fechado. Assim, poderemos apresentar projetos específicos para cada uma e captar mais recursos.”

ALFABETIZAÇÃO - Aos 85 anos, a empregada doméstica aposentada Maria Amara da Silva emocionou quem estava ontem no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, na solenidade de certificação de 3.500 alunos do Programa Brasil Alfabetizado. Antes de receber o diploma das mãos do ministro da Educação, Fernando Haddad, por ter aprendido a ler e escrever em oito meses, leu um texto que contava sua história.

“A professora me convidou para participar do programa, mas não aceitei. Depois ela me convenceu. Hoje, aos 85 anos, tive a oportunidade de conquistar o direito de aprender a ler e escrever. Estou muito feliz. Valeu”, disse. Este ano, o programa terá um incremento de 50% das verbas, chegando a R$ 300 milhões.


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