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Artes visuais

SPA das artes 2006 se despede com programação variada
16/09/2006 13h44

Do Caderno C/JC

Depois de anúncios em rádios comunitárias, muros da cidade e postes da Avenida Conde da Boa Vista, o galo vai às ruas neste sábado, às 8h da manhã, na Guararapes. Não estamos falando do "maior bloco carnavalesco do mundo", mas do trabalho do artista multimídia Gabriel Mascaro e do músico Iezu Kaezu (codinome de Eduardo Vicente). Eles acordam o Centro da cidade com a performance Galo da Madrugada, abrindo a programação do último dia da Semana de Artes Visuais do RecifeSPA das artes. O evento termina hoje no Pátio de São Pedro, Bairro de São José, com o Saldão, festa de encerramento que traz, a partir das 19h, projeções de vídeos, fotos, performances, intervenções e, pela primeira vez, o show do grupo multimídia Chelpa Ferro, do Rio de Janeiro.

A performance da dupla Mascaro e Kaezu dura cerca de uma hora e tem a participação de artistas locais, entre eles Paulo do Amparo, de Olinda, e o músico Rafael, O Rafa, da Mombojó. A ação inclui ainda a presença de animais e um registro audiovisual, como numa gravação de DVD, com quatro câmeras, pela Símio Filmes. "A idéia gira em torno da criação de um falso acontecimento, mexendo com um megaevento", diz Gabriel, que participou no ano passado do SPA com a intervenção Gaiola, posteriormente selecionada para um festival de novas mídias na Finlândia.

Ainda pela manhã, a partir das 9h, os alunos e professores da oficina Fotografia e memória movimentam os bairros das seis Regiões Político-administrativas (RPAs) do Recife com mostras de fotografias em formato de cartazes lambe-lambe. À noite, eles levam o que produziram para o Saldão, expondo um varal com cerca de cem imagens, todas relacionadas ao tema memória e realidade.

E se no SPA quase tudo é permitido, a festa do Pátio de São Pedro tem também "boca-livre", na performance Doce arte, de Janaína Barros (PE). A artista vai fabricar bolos recheados e distribuí-los numa grande mesa forrada com toalha branca e guardanapos carimbados. Um garçom servirá gratuitamente. Enquanto isso, Christina Machado volta a "atacar" com o seu gracioso carrinho, perambulando pelo pátio com a performance Invocação: artérias II, em que convida as pessoas a ter um coração de Leonardo da Vinci impresso no peito. Na ocasião, rola também projeção de vídeos do SPA e do documentário Seu Juca, o letrista pernambucano, de Oscar Malta, em homenagem a João Juvênio Filho, que morreu atropelado esta semana, aos 62 anos.

O momento mais esperado é a apresentação do grupo Chelpa Ferro, que transita em diferentes linguagens: visuais, plásticas, sonoras. O show, definido como "multissensorial", em razão dos diversos estímulos explorados, leva ao palco projeção de imagens, insensos e muita experimentação musical, que usa sons de natureza, vozes, bateria, base eletrônica, etc. As referências, segundo eles, são Sex Pistols e a artista plástica brasileira Lygia Clark. Essa é a primeira vez que o Chelpa Ferro faz apresentação no Recife e ao ar livre. É tudo aberto ao público.


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