A discriminação de idade (etarismo) afeta muitos profissionais experientes e talentosos. No mundo corporativo e político, essa forma de preconceito pode manifestar-se de várias maneiras, desde a exclusão de líderes mais velhos nos processos de promoção até a falta de oportunidades profissionais, em função da idade avançada. A exclusão pode desmoralizar os profissionais mais velhos e desincentivar o engajamento e a lealdade daqueles que estão na ativa, afetando negativamente a cultura empresarial. O etarismo pode ter consequências financeiras para as empresas.
Quando esses profissionais experientes são afastados, as empresas perdem suas habilidades e conhecimentos e, também, a estabilidade e a continuidade que eles podem oferecer. Isso pode aumentar os custos de desligamento, de recrutamento e de treinamento. Por outro lado, a inclusão de líderes mais velhos pode trazer benefícios pela abordagem mais cautelosa para a toma de decisões, em função de anos de experiência. O aumento da expectativa de vida (longevidade), nas últimas décadas, devido aos avanços da medicina, da nutrição e da qualidade de vida, tem permitido que muitas pessoas vivam mais dos 70, 80 e até 90 anos de idade, trazendo profundas implicações na força de trabalho e de liderança das empresas e dos governos em geral (entidades).
Com pessoas mais velhas na idade, saudáveis e ativas por mais tempo, decorrente de várias décadas de experiência e de conhecimento, se tornam de fundamental importância para as entidades. Esse conhecimento e sabedoria, adquiridos ao longo do tempo de experiência, pode proporcionar decisões estratégicas e soluções de problemas complexos. Por isso, a longevidade vem desafiando as noções tradicionais de aposentadoria. Com pessoas longevas, isto é, vivendo mais, a ideia de aposentadoria está se tornando obsoleta. Muitos profissionais desejam continuar trabalhando, exigindo das entidades uma reavaliação das políticas de emprego e de aposentadoria, de modo a proporcionar uma maior flexibilidade e oportunidade para continuar atuando dentro de suas carreiras. Entretanto, a longevidade também traz desafios.
As capacidades físicas e mentais podem declinar com a idade. É claro que varia de pessoa para pessoa. Enquanto alguns profissionais mais velhos permanecem capazes de liderar, outros podem enfrentar dificuldades. Reconhecer essas diferenças e adaptar as práticas de gestão é crucial para aproveitar ao máximo os talentos e minimizar os riscos associados ao declínio das capacidades. Isso significa dizer que o aumento de longevidade representa tanto uma oportunidade, quanto um desafio, pois as entidades devem valorizar a experiência dos líderes mais velhos e implementar mecanismos para garantir que a liderança permaneça eficaz e adaptável as mudanças do mundo moderno.
Por fim, é preciso combater a discriminação etária, mas entendendo os impactos negativos de manter líderes inaptos em posição de poder, sendo que o maior desafio das entidades é equilibrar a valorização da experiência, com a necessidade de renovar a liderança.
Cláudio Sá Leitão e Geraldo Ribeiro - Sócios da Sá Leitão Auditores e Consultores.