O mais emblemático era o Copacabana Palace. Por exigência dos seus fundadores, o cassino transformou-se no ponto de encontro da elite carioca e um marco para consolidação da fama e glamour da unidade, que existem até hoje.
Foi inspirado no estilo do Copacabana Palace, que foi construído o Grande Hotel do Recife. Na Avenida Martins Barros onde funcionaram anteriormente a Delegacia Fiscal e a Faculdade de Direito. O empresário M.J. Carneiro Junior foi o contratante da construção e exploração do hotel. Tinha 131 acomodações. Matéria publicada na Revista de Pernambuco destacava que tinha apartamentos de luxo de primeira classe, instalações sanitárias e banheiros privativos e lojas no andar térreo. O mobiliário e todos os utensílios do hotel eram de primeira qualidade, com os modelos mais modernos". Quando ficou pronto foi arrendado pelo empresário Alberto Bianche.
Inauguração foi em 1938, com um Baile de Gala, no Salão Azul, o espaço mais luxuoso do hotel, que reuniu os nomes mais importantes do estado. Com traje rigor, reuniu três mil convidados. Foi animado por duas orquestras do Casino de Icarahy, que vieram do Rio de Janeiro. O show foi com Francisco Alves, na época o cantor mais famoso do Brasil e a cantora índia Uyara, de Goiás. Muita gente ficou na entrada do hotel, no que era chamado "sereno", para acompanhar a chegada dos convidados. As mulheres dando show de elegância, com seus vestidos longos.
O luxuoso cassino começou a funcionar no dia seguinte e abria às 16h e ia até a madrugada. Estava sempre cheio e se tornou o grande "point" da cidade. Funcionou até 1946, quando um decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra, dizem que orientação da sua esposa Santinha (tese que recentemente foi desmentida) proibiu os cassinos do Brasil e ele teve que ser fechado. Quando nos anos 60 se falou que os cassinos voltariam, três estariam prontos para funcionar: o Grande Hotel e mais dois, em Fazenda Nova e Garanhuns.
Mesmo sem o cassino, o Grande Hotel dominou a hotelaria da nossa cidade, por muitos amos como o mais luxuoso, hospedando nomes famosos, como o presidente francês Charles De Gaulle, o presidente norte-americano Dwight Eisenhower, o imperador da Etiopia, Haile Sallasie, o cineasta Orson Welles e os atores Errol Flynn e Libertad Lamarque. E a seleção da Iugoslavia na Copa do Mundo de 1950, realizada na nossa cidade. E os mais famosos artistas brasleiros.
Em 1955, sua administração foi transferida para o Grupo Monte. O hotel ganhou nova vida e seu restaurante no primeiro andar transformou-se no mais famoso da cidade. No lobby funcionava a Norte Pan, principal agência de viagens da cidade. E criou o bar Esquina 17, sempre cheio no happy hour e que tinha uma figura digamos histórica, o Guarda Belo. O prédio pertencia ao governo do estado, mais exatamente à Empetur. Em 1968 foi devolvido ao governo do estado e cedido ao Tribunal de Justiça para instalar o Fórum Thomaz de Aquino.
Para terminar, uma curiosidade. O Salão Azul do Grande Hotel, onde aconteciam grandes eventos, ganhou uma cópia, digamos popular. Ficava na sede do Atlético Clube de Amadores, na Estrada dos Remédios onde funciona hoje unidade do Novo Atacarejo. Recordo que fui a pelo menos três eventos no local, simples, mas, digamos, arrumadinho.
João Alberto Martins Sobral, editor da coluna João Alberto no Social 1