Profissionais se desdobram para fixar mensagens através da música. Rádio Jornal é um laboratório para suas criações Um jingle que não sai da cabeça, um jargão inesquecível, uma situação cômica, anunciantes e agências de publicidade estão sempre empenhados em fisgar o consumidor pelo ouvido e pela memória. Mas o mundo é cada vez mais poluído pelos sons. Por isso, a fixação de uma mensagem através do rádio precisa de um diferencial para funcionar. Para tal, o mercado conta com a criatividade e a técnica de profissionais e empresas especializadas.
“Todo o meio sonoro é muito poluído. Os comerciais são cada vez mais gritados e o mundo é muito barulhento. Por isso, é preciso buscar artifícios para chamar a atenção do ouvinte”, afirma o músico Carlinhos Borges, do estúdio Onomatopéia Idéias Sonoras. Para ele, que está no ramo há 12 anos, não existe fórmula para isso. “Cada peça tem sua particularidade”, diz.
Para Borges, três elementos são fundamentais para criar um jingle. Primeiro, é preciso escolher o ritmo. Forró, brega, rock, reggae, frevo, todos podem virar publicidade. Tudo vai depender da época do ano, do cliente e do produto a ser anunciado. Em seguida, o trabalho consiste em compor letra, melodia e harmonia.
Nessa etapa, ele destaca que a música e seus elementos são tão importantes quanto a letra que será cantada. “É preciso pensar também na informação musical que é veiculada. Ela ajuda a passar o sentimento que faz com que as pessoas se identifiquem”, destaca. Por fim, é necessário escolher quem vai interpretar a peça. Já para os spots, o produtor destaca a importância de um bom texto e da qualidade dos atores para que a peça funcione.
Para Marcelo Soares e Caca Barreto, do estúdio Muzak, há 16 anos no mercado, o maior desafio para o criador de jingles é traduzir musicalmente a informação passada em palavras e textos pela agência de publicidade. “Mas não existe receita. Cada caso é um caso”, afirma Soares. Foram eles que produziram recentemente os jingles da aguardente Pitú com as bandas Saia Rodada, Patusko e com o cantor Reginaldo Rossi para o aniversário de 70 anos da marca.
No caso do Saia Rodada, por exemplo, Soares conta que a criação do jingle envolveu uma imersão no universo da banda. “Pegamos vários discos para captar o espírito da banda. Aí fizemos a letra usando as gags (piadas) usadas pelos cantores”, diz. Mas Soares conta que apesar da dificuldade de fugir da receita publicitária, há espaço para inovar e criar na composição de peças de áudio para rádio.
“Existe uma linguagem publicitária que deve ser respeitada, mas tudo vai depender do produto e do veículo. Já fizemos uma versão do hino de Pernambuco tocado apenas com instrumentos de percussão e ferramentas, com elementos de música concreta. E as vezes a inovação pode ser ainda mais sutil, como um detalhe na letra”, destaca.
Para os criadores de jingle do Estado, a Rádio Jornal é o principal veículo de comunicação radiofônica: uma espécie de laboratório em que suas criações são sempre postas à prova. “A Rádio Jornal tem um público grande nas classes C e D. Por isso, para nós, é importante ouvi-la, para saber o que as pessoas estão escutando”, diz Borges, do Onomatopéia. “Por ser a rádio de maior penetração, quando produzimos uma peça para a Rádio Jornal, tentamos fazê-la da maneira mais universal possível”, ressalta Soares, do Muzak. (H.N.)