Na época em que o rádio era o veículo mais popular na sociedade brasileira, a Rádio Jornal do Commercio entrou no ar como uma das empresas mais luxuosas do País. O prédio de oito andares tinha os pisos em mármore, estrutura com restaurantes, night club e auditórios com capacidade para 750 pessoas, com todos os equipamentos importados da Inglaterra. “As pessoas vinham de outras cidades visitar a Rádio Jornal”, conta o radialista e jornalista Aldemar Paiva.
A inauguração foi no dia 4 de julho de 1948 e teve a presença do presidente Eurico Gaspar Dutra. O responsável pela iniciativa foi o empresário e jornalista F. Pessoa de Queiroz que investiu Cr$ 36,1 milhões, cerca de R$ 13,5 milhões.
O primeiro programa veiculado foi o Protofonia, que foi ao ar ao meio-dia com uma mensagem de boas-vindas para os ouvintes da Rádio Jornal, ou seja, o mundo inteiro. Isto porque, na década de 50, ela era a única estação com oito transmissores de ondas médias, curtas e freqüência intermediárias que cobriam o Brasil e outros continentes. “Chegávamos à cidade de Suez. E até produzimos um programa para os soldados brasileiros que estavam lá”, lembra o radialista gerente de programação da Rádio Jornal, Rinaldo Melo. Por isso, o slogan “Pernambuco falando para o mundo”. Para transmissão de eventos externos, havia ainda a caminhonete-automóvel-blindada.
Em pouco tempo, a grade se diversificou com programas de auditório, literários, novelas e noticiários. Grandes nomes passaram por seus estúdios, como a atriz Arlete Sales, que em entrevista ao Jornal do Commercio ressaltou: “A Rádio Jornal era a Broadway nordestina. Fiz de tudo para entrar na emissora”. Também circularam na estação atores de outros Estados e países em temporadas no Recife. Eles ficavam hospedados na própria rádio, que oferecia apartamentos especiais. Pelos corredores, as mulheres estavam sempre elegantes e glamourosas.
Já para o público, a magia do rádio estava na possibilidade de imaginar personagens e cenários. “Eram as vozes que faziam as novelas de antigamente e era fantástico. Hoje quando vejo um filme dublado, fecho os olhos e fico lembrando desse tempo”, conta Rinaldo Melo. As radionovelas eram gravadas nos estúdios e, os programas de auditório, nos teatros da emissora, com presença do público. Para isso, a estação contava com grupo de bailarinos, coristas e duas orquestras exclusivas.
Em relação à cobertura jornalística, o programa mais emblemático foi o Repórter Esso, cuja vinheta chamava a atenção de todos para a frente do rádio. Eram edições diárias, fora os flashes com notícias extraordinárias. “Quando a abertura entrava, era sinal de notícia importante”, afirma Rinaldo Melo. Entre as principais coberturas, o radialista lembra o assassinato do então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, em 1963. As notícias eram atualizadas a cada 15 minutos e chegavam por um aparelho chamado teletipo, enviadas por agências de notícias internacionais.
Na década de 70, o Sistema Jornal do Commercio entrou em crise financeira e ficou impossibilitado de pagar salários, acarretando uma série de desligamentos. Com a intervenção de políticos e sindicatos, foram feitas negociações e articulada a entrada do empresário João Carlos Paes Mendonça, em 1987. O primeiro veículo a ser recuperado foi a Rádio Jornal. “João Carlos comprou novos equipamentos, contratou pessoas e reconstruiu o sistema”, lembra o então presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão, Vicente Jorge. Com a nova estrutura veio também uma outra grade de programas para a rádio. “O clima dentro da empresa era outro”, relata Vicente Jorge. A Rádio Jornal investiu em tecnologia, recuperou audiência e voltou a falar para o mundo. Agora, também, pela internet.