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Saúde e Bem-estar

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Internações por ansiedade no Brasil custaram R$ 5,7 milhões em três anos

Além dos valores levantados, o transtorno de ansiedade generalizada enfrenta subnotificação e limitações no acesso a tratamentos especializados

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Estadão Conteúdo

Publicado em 20/01/2025 às 10:41
Internamento em hospital - Andrea Piacquadio/Pexels

Segundo dados da Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares, hospitais públicos e privados do Brasil tiveram um custo de R$ 5,7 milhões em internações por transtorno de ansiedade generalizada (TAG) nos últimos três anos.

O levantamento, realizado em conjunto com a plataforma DRG Brasil, analisou dados de mais de 440 hospitais públicos e privados do País, entre 2022 e novembro de 2024. Nesse período, foram registradas 2.202 internações por TAG.

O cálculo foi feito com base no valor médio de uma diária de internação nos hospitais consultados (cerca de R$ 964). O valor considera o uso do leito, material e medicamentos consumidos e os honorários médicos.

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Segundo o estudo, a taxa de internações aumentou cerca de um ponto desde o período inicial de análise. Em 2022, a média era de 3,4 internações por TAG para cada 100 mil habitantes, enquanto em 2024 a estimativa era de 4,6.

O psiquiatra João Pedro Wanderley, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que em termos relativos, esse é um número elevado, mas ele pode ser ainda maior considerando a subnotificação e as limitações no acesso a tratamentos especializados em saúde mental.

O médico explica que o TAG costuma estar ligado a condições como distúrbios gastrointestinais, respiratórios, endócrino-metabólicos, entre outros.

Dessa forma, é possível que muitas internações por quadros como esses sejam também ligadas à ansiedade. "Ou seja, no ambiente hospitalar geral, o transtorno de ansiedade é quase uma constante".

Leitos psiquiátricos

Muitos pacientes são internados em unidades gerais e não em leitos psiquiátricos, que têm custos ainda maiores. "O aumento nas internações por TAG aponta para a crescente pressão sobre o sistema de saúde, que está longe de ser capaz de atender à demanda crescente de cuidados psiquiátricos", avalia.

O psiquiatra Fabio Molina, do Hospital Regional de Presidente Prudente e da Saúde Digital, do Grupo Fleury, aponta que o valor indicado pelo estudo é um custo relativamente baixo quando comparado com a realidade do transtorno.

O psiquiatra lembra que o quadro pode fazer com que o paciente não consiga desempenhar suas atividades no trabalho, por exemplo, gerando perdas econômicas. Segundo Molina, um paciente que sofre de TAG sem outra doença psiquiátrica associada raramente é internado.

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Porém, o transtorno frequentemente é acompanhado por outras comorbidades. "A internação é reservada para casos graves, quando há risco para a vida do paciente, pensamentos de morte ou tentativa de suicídio, além de agressividade ou falha do tratamento ambulatorial", explica.

"Muitos pacientes com TAG também apresentam distúrbios gastrointestinais, como síndrome do intestino irritável, e isso pode exacerbar o estado ansioso", diz Wanderley. Além disso, o paciente recebe tratamento com ansiolíticos e antidepressivos, e apoio psicoterapêutico.

"O ambiente hospitalar precisa ser acolhedor e propício à redução do estresse, já que a própria internação pode agravar o quadro ansioso", complementa.

Quais são os sintomas da ansiedade?

Os sintomas da ansiedade se manifestam de forma tanto física quanto psíquica. No aspecto psicológico, é comum observar preocupações excessivas, especialmente em relação ao futuro, gerando uma expectativa elevada e uma apreensão constante sobre eventos que estão por vir. Outros sintomas podem ser:

Além de sintomas psíquicos, a ansiedade pode apresentar-se no corpo comumente das seguintes formas:

Há ainda os quadros fóbicos, caracterizados por medos irracionais frente a determinadas situações, objetos ou eventos.

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