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Recife - 17.12.09

Aleatória

Mané de Joana

Publicado em 29.10.2009, às 14h01

Mané e sua segunda esposa oficial, madrasta da minha avó
Mané e sua segunda esposa oficial, madrasta da minha avó
Foto: Arquivo de família

"Um velho enxerido sente de longe quando se aproxima uma mulher bonita, fica logo aceso, bate as asas, tem a liberdade do cachorro e o tesão do galo"

Este é um trecho de um post que Xico Sá colocou no seu Carapuceiro, blog que leio direto. Pois ele fala dos velhinhos safados, enxeridos e me fez lembrar de mais um parente morto. Mané de Joana foi avô de minha mãe e por isso meu bisavô. Tinha este nome por motivos óbvios: numa localidade cheia de Manoéis, o que é filho de Joana, vira Mané de Joana. Só que o nome da mãe dele não era Joana. Era um nome que se perdeu nas empoeiradas e amareladas certidões de nascimentos de estrangeiros holandeses que invadiram Pernambuco. Joana foi o mais próximo que a matutada de Camocim de São Félix (Paraíba) conseguiu chegar da pronúncia original. Dizem que ela era braba que só e que tinha os olhos mais azuis que o Céu de Suely.

Mané, que não era besta e sim "duro, maduro e também muito seguro" para citar os versos de um forró das antigas, morreu de velho e deu no couro até onde pode já no ocaso dos seus 102 anos de vida. Seu último rebento, tinha 12 anos quando o velhinho bateu as caçuletas. Eu não sei até onde isso é resultado da saudável vida no Sertão ou esperteza de alguma mãe solteira que pegou velho besta, mas fica aí uma boa lenda para passar de geração em geração.

Um velho enxerido sente de longe quando se aproxima uma mulher bonita, fica logo aceso, bate as asas, tem a liberdade do cachorro e o tesão do galo



Que eu saiba, além de morrer bem velho, Mané de Joana não realizou nada de especial. Não foi ninguém de destaque. Tinha uma carta de habilitação do Sindicato dos Chouffers, casou-se duas vezes (na foto ele beija a sua segunda esposa oficial, madrasta da minha avó), teve amantes e tinha seus preconceitos de gente atrasada mesmo.

Mas havia alguma coisa naqueles olhinhos azuis, tão miúdos, tão enrugados, que me diziam que aquele homem foi feliz, porque amou suas mulheres, foi amado por elas e viveu histórias que levou para o túmulo, por sua discrição, modéstia e elegância sertaneja.

 

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De: JORGE GUERREIRO- 29/10/2009 16:11

Sr.MANÉ DE JOANA É QUE SOUBE VIVER A VIDA, AMANDO SUAS MULHERES E SENDO AMADO POR ELAS. OH GLÓRIA!!!

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ANA QUITÉRIA é jornalista, cineasta e escreve às quintas. anaquim@gmail.com

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