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Recife - 17.12.09

Aleatória

Ailurofilia

Publicado em 21.10.2009, às 23h36

E vira-lata é que é bom mesmo
E vira-lata é que é bom mesmo

Lá vem ela, toda séria, com seus passos silenciosos e seu olhar penetrante. Ela me olha inquiridora como quem diz: “Cadê meu espaço?”. Estico o braço e, nele, ela se deita num movimento rápido. O meu braço é dela. Depois vem a outra. Também silenciosa, mas como é comedida nos toques, posiciona-se um pouco mais distante. Gosta de presenças, mas não muito de chamego. Foram criadas juntas, desde pequeninas, mas são muito diferentes entre si. Duas criaturas de personalidades diferentes. Duas pessoas.

Olhar para elas faz sorrir e pensar. Gatos são maravilhosos. Olhar um gato pode resultar numa explosão de ternura dentro da gente. Gatos ensinam. Eles sabem viver. Gatos são livres por natureza. Sabem se espreguiçar. Tem o corpo alongado e flexível. Yogues natos. Observadores atentos do mundo, sérios, mas ao mesmo tempo mantenedores de um espírito lúdico que os faz entreter com uma bola de papel amassado.
 
Não sei de onde saiu a má fama dos gatos. “São interesseiros”, dizem os ignorantes, ignorando o desprendimento que um gato pode expressar. O problema é que muita gente não quer apenas um amigo e companheiro, que um ser que seja mesmo depois de maltratado ou ignorado, volte abanando o rabo, implorando carinho, implorando atenção. Gatos não imploram. Gatos são os Chuck Norris do mundo animal doméstico e urbano.

Quem tem um gato - ou mais - não o possui. Convive.



Quando manhosos chegam se roçando e seduzindo, propondo um jogo de esfrega, alisa, rola para um lado, enrosca para o outro. Morde um pouquinho, só segurando com aqueles dentinhos finos, mas sem machucar. Arranha um tantinho, mas só pra dizer que está bom. Nem dói.

Gatos são como pessoas. E relacionam-se de igual para igual. Quem tem um gato – ou mais – não o possui. Convive. Desenvolve uma amizade que, sim, só acaba quando um se vai.

Gatos são como pessoas, só que mais macias e, frequentemente, mais dignas. Se não estamos bem, tudo bem: passamos um tempo amuados, cada um para seu lado. Mas tudo se resolve, pois onde há amor e respeito, reina o entendimento. Por isso, não bata em um gato, pois assim como pessoas, eles não devem apanhar. Mas ao contrário das pessoas que se acostumam com situações degradantes, os gatos não as suportam. Arrumam a mochilinha e vão embora.

*AILUROFILIA quer dizer amor ou paixão aos gatos e/ou afinidade com os felinos.
** Para Tião, TT e todos os airulófilos assumidos. E claro, para Fedra e Medeia.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

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De: ang- 27/11/2009 15:54

lindo!

De: Mônica Gouveia- 22/10/2009 23:36

Matéria perfeita, quem escreveu simplemente retratou o gato em detalhes.Gatos são seres espetaculares. Eu sou ailurófila assumida é claro, pois isto é uma qualidade! Mônica M.M. Gouveia

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ANA QUITÉRIA é jornalista, cineasta e escreve às quintas. anaquim@gmail.com

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