
Moço importante fala para Rita –
Oi tudo bem?
Queria dizer que ainda penso em você, que ainda lembro daquele amanhecer na praia. Preciso dizer que, sim, você faz parte da minha vida, mas que você é passado. Um pretérito absurdo, que eu sempre lembrarei, que fez parte das minhas prospecções para o futuro. Mas no meu presente, nada disso faz sentido, estou vivendo uma outra história.
Rita fala para moço importante -
Ok., você diz tudo isso, mas não pergunta como eu estou... Pois vou te dizer, estou muito bem, obrigada... Sim, fiquei muito mal depois que tudo acabou. Pensei que nunca mais sentiria o que senti quando estávamos juntos, pensei que minha vida estava engessada na sua figura. Mas na verdade, somos movidos a serotonina, uma substância química, que é produzida pelo cérebro e que vem a tona sempre que nos encontramos com alguém que nos apetece. Sim, fui muito feliz quando estávamos juntos, mas hoje, estou melhor ainda.
Moço importante fala para Rita –
Mas então, quer dizer que não fomos nada um para o outro?
Rita fala para moço importante –
Não, quer dizer que fomos úteis para o crescimento emocional um do outro. Você me fez bem, eu te fiz bem. Tudo foi muito bom, enquanto durou. Não tem um poeta que disse isso? Foi infinito enquanto durou. Não mudaria nada em nosso relacionamento, ele foi funcional: fiz você se livrar de uma história sem futuro e você me fez colocar os pés no chão – que eu estava presa em outra história sem pé nem cabeça.
Moço importante fala para Rita –
Quer dizer que fomos apenas instrumentos para o futuro?
Rita fala para moço importante –
É mais ou menos isso. Mas isso não tira o valor que temos um para o outro. Fazemos parte. Nossa história é uma só, em dado momento. Essa é a graça da vida. Encontrar e reencontrar, mudando sentidos, mudando relações e seguindo com a vida.
Moço importante fala para Rita –
Rita, você me confunde. Devemos ou não continuar esta conversa?
Rita fala para moço importante –
Podemos conversar ad infinitum. Mas a nossa história acabou.
Moço importante está offline –
Rita sorri e põe o queixo na mão. Lembra de como aquela pessoa foi importante um dia e como a vida dela mudou em poucos meses: quem era importante deixou de ser e nas surpresas que a vida trouxe desde que se permitiu olhar além. Sorri e desliga o MSN. Acende um cigarro, levanta do sofá e vai cozinhar. Na geladeira, encontra um vinho razoável, que comprou numa promoção em uma loja de atacado e abre a garrafa. Procura uma taça, enche até a boca e bebe aos golinhos. Sorri novamente e percebe que, de fato, nasceu para ser feliz.
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE
AnaQ, sua coluna hj está divina! Que mulher nunca passou por isso? É muito bom desligar o telefone ou sair do MSN com essa sensação de "poder" :)
Mais uma vez, texto irretocável em uma de suas melhores colunas! Adorei muito!
Ahh.Achei interessante, fez alusão a algumas experiências dessa natureza por mim vividas. As vezes aprendemos muito com certos fatos e casos,serve-nos como crescimento emocional e Rita, sempre se sobressaindo. Adorei.
Uma história em quadrinhos sobre os desafios do trânsito da vida real
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