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Preconceito: essa mancha que não sai

Publicado em 30.09.2009, às 22h31

O preconceito fica escondido, misturado com risos ou em declarações que saem da boca de quem não sabe o que está dizendo
O preconceito fica escondido, misturado com risos ou em declarações que saem da boca de quem não sabe o que está dizendo

Nem com alvejante, nem com o sabão em pó mais caro. A mancha do preconceito parece persistir como nódoa, que tinge por abrasão. O preconceito escondido, misturado com risos ou em declarações que saem da boca de quem não sabe o que está dizendo, que faz com que a gente mal perceba que ele está ali. Dia desses, assistindo a um programa cômico noturno, dei de cara com ele.

No capítulo que vi, passado em apartamentos de classe média, entra uma personagem que é filha de um bandido. A moça, muito bonita por sinal, era negra e tinha um comportamento agressivo. A única negra do programa que faz graça com a classe média brasileira era negra e agressiva. Será coincidência? 

E será realmente um avanço o feito de ter uma mulher negra como protagonista de uma novela? Devemos mesmo comemorar? Ou devemos refletir sobre o fato de que as historietas feitas para entreter a massa – a massa de brasileiros de tantos tons de negro, amarelo, vermelho e branco – representarem tão pouco as nuances do País?

Ensinaram-nos a humilhar, a diminuir e diferenciar os coleguinhas por causa da cor



Mas ele não aparece só na TV. Lembro bem. Uma das primeiras piadas que aprendi, ainda criança, era racista. E nós, crianças ainda sem discernimento, aprendemos a achar graça nas piadas. Contávamos até mesmo na frente dos amigos mais negros que nós. Sim, mais negros, por que quem de nós é 100% branco? Ensinaram-nos a humilhar, a diminuir e diferenciar os coleguinhas por causa da cor. O mesmo coleguinha que há pouco brincara de pega, de esconder e queimado. Muitas vezes, o mesmo coleguinha que nos daria o primeiro beijo, numa brincadeira de pera-uva-maçã. 

E mesmo em tempos de Obama-mania a coisa se perpetua. Outro dia mesmo, ouvi da boca de uma criança, que ela não iria assumir um certo mal comportamento na escola, pois não queria parecer uma “negrinha da favela”. Naquela cabecinha parecia estar se formando uma equação que relacionava pobreza extrema, cor de pele e atitude incorreta. E, infelizmente, ela não é a única a continuar pensando assim. A mancha continua.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

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De: Cristine- 01/10/2009 08:15

Muito inteligente a matéria!Essa questão do preconceito é histórica.Quando lecionava, enfrentava vários tipos de manifestações e era muito difícil ensinar meus alunos a respeitarem uns aos outros. Acho que as pessoas deveriam se valorizar mais, serem mais humanas.Como diz o ditado: A ÚNICA RAÇA É A HUMANA,por isso, não há tempo de ficar explicando a diversidade do mundo!

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ANA QUITÉRIA é jornalista, cineasta e escreve às quintas. anaquim@gmail.com

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