JC OnLine

JC OnLine

logo
Recife - 25.11.09

Aleatória

A visita do absurdo

Publicado em 19.11.2009, às 19h17

Quando os olhos abrem pela manhã, esperam ver o que estão acostumados. Quando o corpo sai de casa, levando a alma para as atividades corriqueiras, ambos esperam voltar para casa sem nada de muito novo para comentar. Todo mundo quer o melhor, muita gente procura uma rotina de surpresas – que paradoxo! – mas nem sempre é possível sair da normalidade macilenta dos dias que se repetem como se em looping. 

Só que, às vezes, o absurdo aparece no meio do marasmo e faz de um dia normal um marco ou uma boa lembrança para o resto da vida.

Foi o que aconteceu naquele dia com Duda, Wesley e Biu. Era domingo e lá estavam eles apenas existindo e vendo TV na borracharia incrustada ilegalmente no meio de uma calçada de uma importante avenida da Cidade. Uma dessas que leva o fim do mundo ao Centro. Eis que, do nada, ou quem sabe do Céu, chega um carro com três moças dentro. E elas eram lindas. E tinham um pneu rasgado. Praticamente imprestável.

Biu se adiantou e com ar sábio avisou que ia ter que vulcanizar. Uma delas achou linda a palavra “vulcanizar”. A outra, preocupada com o horário, perguntou se demorava muito. Com a resposta positiva do especialista, a terceira – pragmática - olhou para os borracheiros e perguntou: “Onde vende cerveja por aqui?”.

ATENÇÃO: Apesar do cenário e situação fetichista, o que se seguiu não daria para um roteiro clichê daqueles filmes de capa coberta.

Foi só uma espécie de confraternização improvisada que todos sabiam, acabaria quando o pneu estivesse em ordem. O que celebravam? Quem sabe o absurdo. O absurdo que é a vida que junta uma gente que nunca se viu e nunca se veria se não fosse um pneu furado: acontecimento que normalmente não é motivo de comemorações.

O absurdo quebrou a rotina de seis pessoas e criou seis narrativas diferentes: cada uma de um ponto de vista da mesma situação. O absurdo, s vezes vem assim, só para virar uma história para contar depois. Para os amigos, para os filhos. Ou para lembrar.

Mesmo assim, Wesley já desistiu de contar o fato na escola. Ninguém acredita. Duda, não comentou nem com os pais. Achava que se dissesse que tomou cerveja, iria se dar mal, que ele não tem idade pra beber e era evangélico. Biu, ainda hoje olha esperançoso para a rua, esperando pacientemente uma nova visita do absurdo à sua borracharia.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

Compartilhe essa notícia

DELICIOUS DIGG NEWSVINE STUMBLE WINDOWS LIVE GOOGLE FACEBOOK MYSPACE TWITTER
Comente esta matéria
validador 

Cadastre-se! Esqueceu a senha? O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O JC ONLINE reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa. Para participar, é preciso ser cadastrado no Portal.
De: Geraldo- 24/11/2009 18:58

Conheço essa história. E uma das moças sei que é realmente linda!

Publicidade

Perfil

ANA QUITÉRIA é jornalista, cineasta e escreve às quintas. anaquim@gmail.com

ranking

especial

A conquista feminina sobre duas rodas

A conquista feminina sobre duas rodas

Em quatro anos, a quantidade de habilitações de mulheres para motos em Pernambuco cresceu 87%

dólar

Comp Vend
Comercial 1,7330 1,7350
Turismo 1,7200 1,8200
Paralelo 1,8200 1,9200

tábua de marés

04h38 0.9m
10h49 1.5m
17h45 0.9m
23h47 1.6m
Veja tabela do mês

horóscopo

Voltar ao topo
Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
© Copyright © 1997-2009, JC OnLine - Sistema Jornal do Commercio de Comunicação - Recife - PE - Brasil
Grupo JCPM