
Quando os olhos abrem pela manhã, esperam ver o que estão acostumados. Quando o corpo sai de casa, levando a alma para as atividades corriqueiras, ambos esperam voltar para casa sem nada de muito novo para comentar. Todo mundo quer o melhor, muita gente procura uma rotina de surpresas – que paradoxo! – mas nem sempre é possível sair da normalidade macilenta dos dias que se repetem como se em looping.
Só que, às vezes, o absurdo aparece no meio do marasmo e faz de um dia normal um marco ou uma boa lembrança para o resto da vida.
Foi o que aconteceu naquele dia com Duda, Wesley e Biu. Era domingo e lá estavam eles apenas existindo e vendo TV na borracharia incrustada ilegalmente no meio de uma calçada de uma importante avenida da Cidade. Uma dessas que leva o fim do mundo ao Centro. Eis que, do nada, ou quem sabe do Céu, chega um carro com três moças dentro. E elas eram lindas. E tinham um pneu rasgado. Praticamente imprestável.
Biu se adiantou e com ar sábio avisou que ia ter que vulcanizar. Uma delas achou linda a palavra “vulcanizar”. A outra, preocupada com o horário, perguntou se demorava muito. Com a resposta positiva do especialista, a terceira – pragmática - olhou para os borracheiros e perguntou: “Onde vende cerveja por aqui?”.
ATENÇÃO: Apesar do cenário e situação fetichista, o que se seguiu não daria para um roteiro clichê daqueles filmes de capa coberta.
Foi só uma espécie de confraternização improvisada que todos sabiam, acabaria quando o pneu estivesse em ordem. O que celebravam? Quem sabe o absurdo. O absurdo que é a vida que junta uma gente que nunca se viu e nunca se veria se não fosse um pneu furado: acontecimento que normalmente não é motivo de comemorações.
O absurdo quebrou a rotina de seis pessoas e criou seis narrativas diferentes: cada uma de um ponto de vista da mesma situação. O absurdo, s vezes vem assim, só para virar uma história para contar depois. Para os amigos, para os filhos. Ou para lembrar.
Mesmo assim, Wesley já desistiu de contar o fato na escola. Ninguém acredita. Duda, não comentou nem com os pais. Achava que se dissesse que tomou cerveja, iria se dar mal, que ele não tem idade pra beber e era evangélico. Biu, ainda hoje olha esperançoso para a rua, esperando pacientemente uma nova visita do absurdo à sua borracharia.
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Conheço essa história. E uma das moças sei que é realmente linda!
Em quatro anos, a quantidade de habilitações de mulheres para motos em Pernambuco cresceu 87%
| Comp | Vend | |
| Comercial | 1,7330 | 1,7350 |
| Turismo | 1,7200 | 1,8200 |
| Paralelo | 1,8200 | 1,9200 |