
O diretor-presidente da Airbus, Tom Enders, afirmou nesta quinta-feira (30), em entrevista ao jornal francês "La Tribune", que a companhia financiará uma terceira etapa nas buscas aos destroços do voo AF 447, perdidos no Oceano Atlântico O valor oferecido fica entre € 12 milhões e € 20 milhões, montante que deve ser empregado no custeio dos trabalhos a partir de 22 de agosto, quando deveriam se encerrar as buscas.
Segundo Enders, o objetivo dessa medida é tentar localizar os restos da aeronave e suas caixas-pretas para que as causas do acidente possam ser esclarecidas e a segurança das aeronaves, melhorada.
"Nós nos engajamos a apoiar a extensão das buscas aportando uma contribuição financeira", afirmou o executivo. "Queremos saber o que exatamente aconteceu".
O valor será administrado pelo Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA) e deve ser usado a partir do fim da atual etapa de investigações. Até o dia 22, o navio Pourquoi Pas, do Instituto Francês de Pesquisa e Exploração do Mar, seguirá na região presumida do acidente, organizando o trabalho do robô submarino Nautile e do robô Victor.
RISCO DE QUEDA - Um documento técnico produzido pelo Advanced Air-Data Equipment for Airliners (Adeline), programa europeu de desenvolvimento tecnológico que contava com a participação da Thales Avionics S.A., fabricante de tubos de pitot, admitia já em 2006 o risco de queda de aeronaves em caso de perda das informações de velocidade durante um voo. A falha foi a primeira indicada pelas mensagens automáticas enviadas pelo Airbus A330 em 31 de maio. De acordo com o texto, em caso de congelamento das sondas, uma das hipóteses cogitadas para explicar a queda, o risco é ainda maior.
Desde o desastre do voo AF 447, dirigentes da Air France e peritos do BEA têm repetido que a perda das informações de velocidade foram verificadas, mas não necessariamente seriam a causa da queda do aparelho. Já a Thales Avionics jamais se pronunciou sobre o tema, nem tinha admitido riscos gerados por panes nos equipamentos que fabrica.
A informação contida no projeto Adeline de 2006 reforça argumentos contrário. Já no resumo do relatório, assinado pela Thales, entre outras organizações, os técnicos reconhecem o risco gerado pela eventual falha das sondas. "Estes equipamentos geram parâmetros vitais para a segurança de voos como velocidade do ar, ângulo de ataque e altitude". O documento prossegue: "A perda destes dados pode causar a queda de um avião, em especial em caso de congelamento das sondas".
O objetivo central do projeto, copatrocinado pela Comissão Europeia, era desenvolver pesquisas que resultassem na redução de 50% do valor de produção de equipamentos como os sensores de velocidade. Procurada nesta quinta-feira (30) para se pronunciar sobre o tema, a Thales Avionics não respondeu ao pedido da reportagem.
A pane dos tubos de pitot do Airbus A330 que caiu sobre o Oceano Atlântico é uma das informações indicadas pelas mensagens automáticas enviadas pelo aparelho antes de sua queda. Desde o acidente, uma série de incidentes semelhantes envolvendo panes temporárias em Airbus vêm sendo reveladas pela imprensa europeia e brasileira.
A revelação das sucessivas falhas dos tubos de pitot está aumentando a pressão sobre os órgãos de controle da aviação civil na Europa. Nesta quinta-feira (30), o diretor de Comunicação da Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA), o alemão Daniel Hoeltgen, confirmou que uma ordem de substituição de todos os sensores de velocidade pode ser publicada a qualquer momento pela instituição, se a investigação em curso assim determinar.
"Ainda não estamos convencidos de que a simples troca dos sensores de velocidade vai aumentar a segurança dos voos", afirmou Hoeltgen. "Temos recebido informações sobre incidentes semelhantes de muitas companhias aéreas de todo o mundo, assim como de órgãos de segurança de voo de vários países. Não excluímos nenhuma medida. Mas não aceitamos pressões. Só tomaremos a decisão quando estivermos seguros".
SINDICATO - Desde a terça-feira (28), o Sindicato Nacional de Pilotos de Linha (SNPL), que congrega 70% dos comandantes da França, vem pedindo à Air France que substitua todos sensores da marca Thales Avionics por equipamentos Goodrich. A reivindicação veio à tona depois que um Airbus A320 apresentou problemas durante um voo entre Roma e Paris, em 13 de julho. A aeronave já contava com os novos modelos dos sensores, BA, em tese mais resistentes ao congelamento que os anteriores, AA, instalados no voo AF 447. Em nota, a companhia aérea reafirmou a segurança das aeronaves mesmo com as sondas.
Fonte: AE
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| Comp | Vend | |
| Comercial | 1,7480 | 1,7500 |
| Turismo | 1,7100 | 1,8700 |
| Paralelo | 1,8500 | 1,9500 |