
A penúltima conversa da Fliporto 2009 neste domingo (8) trouxe um personagem familiar à grande parte dos brasileiros. No debate "Verdades e mentiras de Fernando Pessoa", Inês Pedrosa, diretora-presidente da Casa Fernando Pessoa, e o escritor imortal da Academia Pernambucana de Letras José Paulo Cavalcanti Filho, falaram sobre as relações entre Brasil e o poeta português.
José Paulo começou listando alguns dos 150 heterônimos atribuídos a Pessoa, além de comentar muito bem-humorado os versos "(...)blague de Cabral que nem te queria descobrir", uma exceção entre seus trabalhos que expressam sua profunda admiração por poetas brasileiros, mas poderia soar de mau gosto ao leitor desavisado.
Empenhado no universo de Pessoa para seu próximo livro, o imortal promete sair da monotonia associada com frequência aos ensaios biográficos, e logo poderemos conferir um volume permeado de historietas curiosas e relíquias encontradas nas suas viagens para Portugal, como a catalogação dos selos e o livro encontrado no bolso do terno do escritor na ocasião da sua morte - razão da última frase atribuída a Pessoa: "Dai-me os óculos", além da primeira edição do livro Mensagem, pontuado de correções que atestam seu perfil metódico.
Cavalcanti pescou da obra do lusitano inspirações pessoais que alimentam os interessados nos personagens e cenários - "A menina da tabacaria observada por ele, quem seria essa menina? 'Se eu tivesse casado com a filha da lavadeira seria feliz'...quem foi essa moça? ela existiu mesmo? Fui atrás pra descobrir" revelou José Paulo, além de cartas, declarações do período salazariano com pitadas de crônica e muita irreverência.
Cavalcanti disse que começou a gostar do poeta ainda num tempo em que o autor era lido por poucos. Entre os nomes que estreitaram uma temática semelhante ao português, Ascenso Ferreira, Casemiro de Abreu, Carlos Drummond Andrade, Machado de Assis, Manuel Bandeira, e o próprio imortal. "Só um idiota absoluto quer ser parceiro de Pessoa", brincou.
As cartas de Fernando Pessoa ao amigo Sá Carneiro quase protagonizaram uma reviravolta na busca por preciosidades: o hotel onde o poeta teria falecido, na companhia de Ofélia Queiroz, mítica namorada que presenciou seus últimos instantes na impossibilidade da família, já mudou de nome pelo menos três vezes, e a mala de couro com as relíquias ainda não foram encontradas.
O tom descontraído da conversa contribuiu para a imediata aproximação do público da festa literária com a obra e sem a melancolia associada a um poeta muito próximo do humano.
O projeto para o transporte público do Recife e a experiência bem sucedida de Curitiba
| Comp | Vend | |
| Comercial | 1,7480 | 1,7500 |
| Turismo | 1,7100 | 1,8700 |
| Paralelo | 1,8500 | 1,9500 |