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Recife - 24.11.09

Fliporto // PORTO DE GALINHAS

Na Fliporto, jornalista diz que "Texto correto foi a inquisição"

Publicado em 07.11.2009, às 01h08

Rafaella Soares Especial para o JC Online
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"Para quê serve a língua? Para seres individuais estabelecerem pontes", afirmou Peixoto
Foto: Tom Cabral/Divulgação

Dois jornalistas e um escritor. Dois brasileiros e um português. Os convidados da Fliporto para versar sobre "Glórias e misérias com a Língua Portuguesa", Humberto Werneck, Fernando Portela e José Luíz Peixoto, falaram sobre reforma ortográfica, semântica e as mudanças da língua, incluindo o ofício dos jornalistas. Werneck, autor de Pai dos Burros, coletânea de verbetes usados à exaustão, abriu a conversa no fim da tarde desta sexta (6).

Ele explicou que o aspecto minucioso do seu livro não o retrata como policial da língua culta - ou "gari da semântica", na expressão que usou: "Não sou um especialista, sou um usuário antigo, apaixonado". Com bom humor, o jornalista lembrou de um comentário publicado à epoca do lançamento do seu livro por Ruy Castro: se fossemos nos ater a cada recomendação daquelas, não escreveríamos mais nada. Mas ele lembrou que a iniciativa foi de prestar um serviço às pessoas, alertar para o lugar comum e pensar em como não ser convencional estimula a comunicação.

"Para quê serve a língua? Para seres individuais estabelecerem pontes. Nosso idioma é cheio de possibilidades", descreveu José Luíz Peixoto. O autor lusitano ironizou o fato de seu terceiro livro ter sido publicado no Brasil preservando todos os tremas e acentos afins.

Perguntado sobre o tom de quase condescendência ao se referir ao Brasil numa comparação demográfica com Portugal ("Somos 10 milhões de habitantes, isso deve significar a população de Minas Gerais", exagerou), Peixoto disse admirar o país por autores como Clarice Lispector (nascida na Ucrânia) e por soluções inusitadas encontradas pelo povo para rebuscar a ortografia.

Fernando Portela contou da sua experiência em várias redações nos últimos 40 anos. O jornalista apontou "uma contra-revolução, priorizando o simplório, para tentar abolir o que era criativo, livre, literário. Substiruiram pelo texto correto. Texto correto é pastel de vento, você dali não absorve nada" Ele ainda setenciou: "O texto correto foi a inquisição."

Portela encerrou apostando nos jovens talentos para acabar com o tratamento desestimulante da língua portuguesa no que diz respeito à comunicação dispensado por alguns.

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