
O Ponte Nova mudou de endereço, mas não foi apenas o CEP que sofreu alteração. Da Zona Sul para a Zona Norte, do ano de 2004 para o de 2009, um monte de coisas já não é mais o mesmo, inclusive a alma do próprio restaurante. Não que a casa do chef Joca Pontes – em sociedade com Luciano Longman, Leonardo Pontual e Edgard Rocha – tenha sido desenraizada. As transmutações que agora vemos materializadas são reflexo da evolução de uma idéia, de uma cozinha, de uma empresa e seus empresários.
Coube à arquiteta Clarissa Duarte formatar a nova casa e ao designer Ceó Pontual criar uma nova logomarca. A fase atual exigia uma identidade de mais aconchego familiar, embora ainda vejamos pulsar a linha mestra de uma culinária cosmopolita e sem fronteiras. A casa dos avós foi, seguramente, um fio condutor. Logo na entrada, vemos uma antessala ambientada como se assim fosse. Na parede, fotos de “vôs” e “vós” do lado materno e paterno – um contraponto interessante ao projeto anterior, no qual a ênfase era dada à cidade, à rua, ao exterior. É como se o Ponte Nova e sua culinária tivessem, neste momento, voltados mais para o núcleo duro de onde saem todas as influências: a família, os amigos, a vizinhança, os hábitos cotidianos e ancestrais.
A estética art-nouveau é uma das inspirações na ambientação. E isso significa um uso recorrente de curvas. Os arcos originais da casa são complementados por estruturas abauladas de madeira, com destaque para um moderno relógio ao fundo do primeiro salão. Parece um lembrete de que o tempo é cíclico, de que não há o novo sem o velho.
A mudança do Ponte Nova para a Zona Norte pontifica, ainda, um momento urbano específico onde parecem existir dois Recifes, o do Norte e o do Sul, cujo limite é traçado pelo viaduto Joana Bezerra. A decisão da mudança foi mais ou menos por aí: os sócios tinham vidas enraizadas no Recife Norte. Agora, os do lado Sul terão que fazer a migração na fronteira.
E vale a pena. Não foi só na aparência que o Ponte Nova implementou mudanças. As receitas refletem, igualmente, a nova etapa. Existe agora, por exemplo, um capítulo indicado para quem quer partilhar uma entrada. Aqui, nossos caseiros pastéis de festa ganham uma interpretação de alta culinária: o recheio é feito com refogado de carne moída de charque com cebola de forno, mix de queijo coalho com queijo minas, geléia de acerola com pimenta. (R$ 16). Praticamente todos os pratos principais, e muitas entradas, são novidades. Citemos apenas três dos vários que valem a viagem: fricassé de cordeiro com passas coberto com purê de macaxeira em mix gratinado de queijos regionais (R$ 10); arroz 7 cereais com lascas de paleta de porco grelhadas ao leve toque de óleo de gergelim, cebolinho branco glaceado, brócolis ninja, passas e amendoim, com bolinho de porco crocante e jarrinha de molho curry thai (R$ 31); magret de pato defumado, grelhado, envolvido em mel de tamarindo, molho ao vinho madeira com leve toque de chocolate, musseline de macaxeira e macaxeira palha (R$ 42).
Legal... Só faltou dizer onde ficar o restaurante...
O projeto para o transporte público do Recife e a experiência bem sucedida de Curitiba
| Comp | Vend | |
| Comercial | 1,724 | 1,726 |
| Turismo | 1,640 | 1,830 |
| Paralelo | 1,650 | 1,840 |