
Tem de tudo. Lava-jato, oficina de bicicleta, conserto de fogão, troca de injeção eletrônica, restaurante self-service, barraca de frutas, chaveiro, borracharia e inúmeros bares. Uma feira da bagunça. Tudo isso na calçada do entorno da Universidade Federal de Pernambuco, na Zona Oeste do Recife.
A Diretoria de Controle Urbano (Dircon) passa longe. As paradas de ônibus ficam espremidas entre as barracas. O jeito é esperar o ônibus no meio da rua. São 175 barracas irregulares, instaladas no espaço público. Não sobra chão para os pedestres. São obrigados a dividir o asfalto com os carros. Além da absurda desordem urbana, a sujeira está por todos os lados. Fileiras de sacos de lixo esperam recolhimento da limpeza urbana.
O trecho localizado atrás do prédio do Centro de Artes e Comunicação (CAC) é um dos mais caóticos. Restaurantes com várias mesas estão instalados no local. Formam um labirinto. Nas grades, que separam a rua do campus universitário, comerciantes colocam camisas para vender. Há salgadinhos pendurados, fivelas de todos os tipos e até produtos eletrônicos.
No meio da rua, mais de 30 estudantes esperam ônibus. “É um absurdo. Nunca resolveram isso aqui. Olhe só. Onde fica a parada do ônibus? Sumiu. A gente fica aqui e se arrisca a ser atropelado. O prefeito precisa passar por aqui”, reclamou a estudante Carla Santana, 23 anos.
Irritado com a presença da equipe de reportagem, o dono de um dos restaurantes do local tentou impedir que as fotos fossem feitas. “Esse espaço aqui é meu. Vocês não podem fotografar meu estabelecimento assim sem mais nem menos”, declarou. O “meu”, a que ele se referiu, é de todos. O terreno dele é a calçada. Outro comerciante, José Severino da Costa, tem um fiteiro há mais de cinco anos no local. “Acho que a prefeitura precisa mesmo organizar isso aqui. A organização é bom para todo o mundo. Fica tudo em ordem e a gente acaba vendendo mais e tendo mais retorno. Seria interessante que a prefeitura cadastrasse todo o mundo aqui e padronizasse todas as barracas.”
O borracheiro Roberto Gabriel Pereira, 42, diz que montou uma oficina de bicicleta na calçada, em frente ao Cemitério da Várzea, porque precisa trabalhar. “Tenho mais de 40 anos e é muito difícil arrumar emprego. Daqui, tiro meu sustento. Mas concordo que é preciso uma organização maior. A prefeitura nunca passou aqui para fazer o cadastro”, informou.
A situação também é crítica nas calçadas do Hospital das Clínicas (HC), na BR-101, onde 42 barracas se aglomeram até a porta de entrada da unidade de saúde. A via que contém mais imóveis irregulares, porém, é a Rua Professor Arthur de Sá, que contabiliza 69 barracas. Da passarela situada na BR-101 é possível ter uma noção da desordem. Barracas com lonas plásticas tomam conta do lugar. “Qualquer dia não vamos conseguir nem entrar com o carro aqui no Hospital das Clínicas. É barraca por todos os lados. Faz muito tempo que a situação é esta. Aqui nada muda. Infelizmente, esta é a nossa cidade. Temos que nos contentar. Pelo visto, não adianta falar”, reclamou o estudante de medicina Leonardo Libório.
LENTIDÃO - A prefeita da Cidade Universitária, Norma Lacerda, informou que a universidade não tem competência para retirar os ambulantes do local. Ela lembrou que, de acordo com a legislação municipal, cabe à universidade cuidar das suas calçadas, no entanto, não tem como executar a manutenção uma vez que todas estão ocupadas de maneira irregular.
De acordo com Norma, a UFPE já fez várias gestões para tentar resolver o problema com a prefeitura. “Já tivemos várias reuniões com o poder municipal e nos colocamos à disposição para ajudar nesse processo.” Ela lembrou que há uma questão socioeconômica. “O problema é bastante complexo. Existe um projeto na prefeitura de intervenção no local. Disponibilizamos estagiários para fazer o levantamento. É preciso saber para onde os ambulantes vão”, afirmou.
Normal Lacerda disse que o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Amaro Lins, vai se reunir com o prefeito do Recife, João da Costa, para debater a utilização indevida do espaço público no entorno da UFPE.
Mesmo com o relato de completa desordem e falta de fiscalização, a assessoria de imprensa da Prefeitura do Recife não disponibilizou ninguém para falar sobre o assunto. Por meio de uma nota com cinco linhas se limitou a comunicar que “a regional da Diretoria de Controle Urbano responsável pela área tem mantido uma fiscalização constante com o objetivo de evitar novas ocupações no espaço público.”
Na nota, o poder público informa que está negociando com a universidade. O objetivo é buscar uma alternativa para parte dos comerciantes informais que trabalham no local. O poder público informou ainda que vai tentar viabilizar a criação de um espaço no campus para alojá-los. Não foi divulgado nenhuma informação mais detalhada sobre projetos ou ações de curto prazo para a área.
Há um detalhe muito importante que a reportagem não menciona: há muitas barracas no entorno da UFPE que são alugadas. Ou seja: tem gente construindo aquelas barracas para ganhar dinheiro de gente pobre. O sujeito "conquista" o ponto, constrói a barraca, e sub-loca para alguém vender comida ou colocar uma borracharia. Outra coisa: tem barraquinha de pobre e tem verdadeiros bares e restaurantes que faturam muito dinheiro - sobretudo no lado da UFPE que fica defronte ao IFPE e ao Exército. É mesmo uma vergonha.
Uma barraquinha aqui, outra ali, as pessoas foram vendo que ninguém fiscalizava, ninguém botava ordem na casa, então as barraquinhas foram se instalando, se espremendo nas calçadas e expulsando as pessoas para o meio da rua. Resultado: o caos! E ainda completo: no local onde deveria ser a parada do CFCH, @#$% ex., as pessoas esperam os ônibus na rua, na faixa da direita, onde os mesmos deveriam parar, deixando a faixa da esquerda livre para os outros carros passarem. Com esse caos resta aos ônibus parar na faixa da esquerda para fazer o embarque/desembarque de passageiros, o que impede que os demais veículos ultrapassem o ônibus que está parado. Resultado: o caos atinge também o trânsito no local. Nos horários de pico (início da manhã, hora do almoço e fim de tarde/ inicio de noite) fica uma fileira enorme de carros e ônibus. Para completar, os mais apressados entram pela faixa da contramão e triplicam o caos. É bom que essa invasão nas calçadas da UFPE seja realmente organizada. Há muito tempo esperamos por isso e quanto mais esperamos, mais a bagunça se consolida.
Esse tipo de ZONA só se vê mesmo no Recife.
O projeto para o transporte público do Recife e a experiência bem sucedida de Curitiba
| Comp | Vend | |
| Comercial | 1,8440 | 1,8460 |
| Turismo | 1,8100 | 1,9700 |
| Paralelo | 1,9000 | 2,0500 |