Recife | 08-09-2008    
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OPERAÇÃO NAVALHA     26/05/2007 15:33
Dono da Gautama recusa-se a responder perguntas e continua preso


Da Folha Online

O dono da construtora Gautama, Zuleido Veras, se recusou a responder às perguntas da ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Eliana Calmon na tarde deste sábado. Acusado de chefiar um esquema de fraude de licitações e pagamento de propina a políticos e funcionários públicos, Zuleido seria o segundo suspeito a ser ouvido hoje.

Pela manhã, a ministra tomou depoimento da diretora da Gautama Maria Fátima Palmeira, que continua presa. A expectativa dos advogados era a de que os dois investigados fossem liberados após o depoimento, mas eles devem voltar para a carceragem da Polícia Federal.

O depoimento de Fátima terminou por volta das 13h30, após quase quatro horas. A diretora começou a depor na sexta-feira, quando falou por quatro horas. O depoimento foi interrompido às 22h40 de sexta-feira e retomado às 9h25 deste sábado. Palmeira é apontada pela Polícia Federal como a responsável pelo pagamento de propina a funcionários públicos.

Uma gravação da PF mostrando Fátima no Ministério de Minas e Energia foi o estopim para a queda do ex-ministro da pasta Silas Rondeau, acusado pela PF de receber R$ 100 mil da Gautama.

Outros três depoimentos marcados para sexta-feira haviam sido transferidos para segunda (28), mas podem ser tomados ainda hoje devido à recusa de Zeluido de responder as perguntas.

O filho de Zuleido, Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras, a funcionária Tereza Freire Lima, o administrador Henrique Garcia, os diretores Abelardo Sampaio Lopes Filho e Gil Jacó Carvalho Santos, o irmão do dono da empresa, Dimas Soares de Veras, ainda não depuseram.

A advogada da Gautama, Sônia Rao, declarou hoje que a prisão de Fátima "é uma injustiça". "Não há nenhum motivo e nenhum pressuposto para a prisão preventiva", disse Rao. Ela não quis comentar o depoimento porque o inquérito corre em segredo de Justiça.

 
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QUEM FISCALIZA O FISCAL?     26/05/2007 14:52
Projeto de nepotismo do TCE não anda na AL, mas já se discute rotatividade de indicações políticas

JC Imagem
Fidelidade a Eduardo Campo pode ser paga com cargo vitalício

Paulo Sérgio Scarpa, no Repórter JC

O conselheiro Romeu da Fonte se aposenta no Tribunal de Contas do Estado (TCE) dia 29 ao completar 70 anos, quando recebe, dia 31, homenagens dos funcionários, e, dia 6, do Caxangá Ágape. Com a aposentadoria, o TCE passa a ter duas vagas: a dele e a de Roldão Joaquim, que está sub judice no STF. A vaga de Roldão Joaquim, segundo o TCE, pertenceria ao Ministério Público de Contas, do próprio TCE, mas a Assembléia Legislativa acha que a vaga é dos deputados. O relator da pendência no TCE, Joaquim Barbosa, garante que coloca a polêmica em votação até o final do mês. Sendo a vaga de Roldão da Assembléia ou do TCE, a vaga de Romeu será do governador Eduardo Campos, que tem dito a assessores que não nomeia ninguém até a decisão final do STF sobre a vaga de Roldão. Cresce assim a possibilidade de Izael Nóbrega ser o nomeado.

 

PS: Nome tido como quase certo para a Procuradoria Geral do Estado, Izael Nóbrega não assumiu o posto. Ele ficou ao lado de Eduardo Campos, no Palácio do Campo das Princesas, como assessor especial, mais ou menos como ocorreu no governo passado com Dorany Sampaio. Ainda na fase de transição já se comentava que a intenção era preservar o quadro para uma vaga no TCE ou mesmo TJPE. Nóbrega foi procurador geral do Estado no terceiro governo Arraes.

PS2: Como os senhores sabem, a disputa é grande porque todos os interessados tem um elevado espírito público e grande vontade de servir ao povo. O salário na casa dos R$ 28 mil, incluindo as verbas compensatórias, é apenas um detalhe.

 
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AULA DE VERGONHA     26/05/2007 13:14
Ideb já revela fosso que separa educação do Nordeste do resto do País

Novo termômetro da educação

Por Claudio de Moura Castro

Tipicamente, a ciência gera os avanços que se transformam em tecnologia. Mas há o caminho inverso, pois avanços tecnológicos podem permitir saltos na ciência. Com a tecnologia do microscópio, os micróbios passaram de conjectura a entes reais. O telescópio revelou astros invisíveis a olho nu. Na economia, o conceito de PIB engendrou novas análises. Mais adiante, veio o IDH, revelando o outro lado do desenvolvimento. Na educação, o Brasil acaba de ganhar um novo termômetro: o Ideb. Trata-se de um índice de excelência da educação, que permite novas análises.

O Ideb é um indicador engenhoso, que combina a velocidade de avanço dos alunos dentro da escola com o nível de rendimento nos testes da Prova Brasil. Foi calculado para a 4ª e a 8ª séries e para a última série do ensino médio. Quanto menos repetência, maior o índice. Quanto mais altos os escores na Prova Brasil, maior o índice. O Ideb premia municípios ou escolas cujos alunos aprendem mais e repetem menos. Portanto, se a escola aprovar quem não sabe, para reduzir a repetência, perderá nos escores de rendimento escolar. A que peneirar os melhores, com o objetivo de gerar escores superiores, terá mais repetência, puxando para baixo o índice.

Sem revirar tudo de pernas para o ar, o Ideb mostra algumas novidades. Consolida-se a liderança do Centro-Sul, premiando a continuidade das suas políticas educativas. Do Rio Grande até Minas Gerais, os resultados são sempre superiores. A surpresa é que nesse time acaba de entrar o Espírito Santo e sair o Rio de Janeiro. Depois de liderar por mais de dois séculos, o Rio afundou para o meio da distribuição, equiparando-se com o Acre, Sergipe e outros estados pobres. São Paulo é reabilitado pelo Ideb, aparecendo em 1º, 1º e 4º (na 4ª, 8ª e 11ª séries). Perdão para a sua tão vilipendiada política de promoção automática? Apesar de quinze estados terem maiores gastos per capita, a educação de Minas está entre as melhores. Ou seja, gastar bem vale mais do que gastar muito.

Vínhamos observando os avanços do Centro-Oeste. De fato, está bufando no cangote do Centro-Sul, apesar de sua recentíssima colonização. A grande surpresa são os novos estados e ex-territórios, sempre subestimados. Rapidamente subiram, mesclando-se com o Centro-Oeste. Com dezoito anos de idade, o Tocantins desponta em 6º lugar (na 8ª série), mostrando que é possível criar um sistema educativo adequado em tempo recorde. Bela lição. Querendo, educação melhor não é apenas para os netos.

Em contraste, os velhos Norte e Nordeste permanecem firmes na rabeira. Foram ultrapassados até pelos ex-territórios. No ensino médio, raspando na trave, escapam o Ceará e Sergipe. Alagoas e Amazonas carregam a lanterninha. E que surpresa ver Acre, Amapá e Roraima se descolarem do Norte e Nordeste. A maior vergonha é o Distrito Federal. Na 4ª série, vai bem (2º lugar). Mas, nos níveis seguintes, cai para 13º e 9º. Com custo por aluno de quatro vezes a média nacional, é inaceitável que a politicagem de Brasília tenha provocado tão lamentáveis conseqüências.

Nos municípios, o que mais chama atenção é ver a qualidade fugir das capitais. De fato, poucas estão acima da média nacional. Curitiba é a melhor capital. Contudo, há mais de 400 municípios com educação melhor. Recentemente, ouvi depoimentos de diretoras de escolas da periferia de uma grande capital. A conflagração urbana domina a agenda. Discorreram sobre todas as desgraceiras e falaram de tudo, menos de educação. Se educação de qualidade não está na agenda delas, como poderíamos querer que se materializasse? Nem por milagre.

As grandes estrelas são municípios pouco conhecidos. Quem ouviu falar de Trajano de Morais? Pois, pasmem, tem o melhor ensino fundamental do Brasil. Mas o quarto pior (Piraí) está também no estado do Rio. Barra do Chapéu, a melhor 4ª série do país, está no Vale do Ribeira, uma região pobre do estado de São Paulo. Ou seja, para ultrapassar o desempenho das capitais não é necessário mais do que prefeitos dedicados e o feijão-com-arroz bem-feito. Se o ensino de qualidade fosse tão caro, como poderia ocorrer em municípios pobres?

 

 
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TODOS CONTRA A SONEGAÇÃO     26/05/2007 12:58
Contribuinte tem parte de seu dinheiro de volta. Só em São Paulo, por enquanto.

A Veja informa, em sua coluna Holofote, que em julho, o governo paulista passará a devolver aos contribuintes 30% do ICMS recolhido por meio de nota fiscal on-line.

Pelo projeto idealizado pelo secretário de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, o contribuinte poderá receber seu dinheiro de volta abatendo tributos, direto no cartão de crédito ou até na conta corrente.

O governador José Serra diz que o abatimento nada tem a ver com guerra fiscal. Segundo ele, é uma medida contra a sonegação. Uma ótima medida, aliás.

 

A prefeitura de São Paulo já tem o que eu considero um dos mais bárbaros programas de combate a sonegação. Lá, o contribuinte que ajudar a elevar a arrecadação de ISS pedindo a nota fiscal de serviços ganha automaticamente descontos no IPTU da cidade. São criados milhares de fiscais nas portas das lojas que não gostam de emitir nota, ou quando emitem estão calçadas (fraudadas).

Já tive a oportunidade de sugerir iniciativa semelhante ao prefeito João Paulo e sua equipe técnica e tomei conhecimento que em breve ele anunciará programas nesta linha, estimulado por ações sugeridas pela união nacional dos municípios. Pode ocorrer assim que João Paulo voltar da Suécia. Uma boa iniciativa, sem sobra de dúvidas.

 
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PACTO PELA VIDA     26/05/2007 12:37
Mais um PM é morto em troca de tiros. Agora em São Lourenço da Mata

 

Mais um PM tombou na luta contra a violência.

Um policial militar foi morto na madrugada deste sábado (26), durante uma troca de tiros com bandidos em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife.

Iraquitan Martins DA Silva, de 44 anos, participava de uma operação junto com agentes do Grupo de Operações Especiais, quando foi atingido por disparos, durante um tiroteio.

Enquanto isto, a contagem macabra já se aproxima da terceira centena, em menos de um mês.

 
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O BLOG DE JAMILDO SOLIDARIZA-SE COM O DOUTOR     26/05/2007 12:05
Internet está levando Drauzio Varella à loucura. É a escravidão moderna

Invenção demoníaca

Com o passar dos anos, os tentáculos desse polvo me enlaçaram até a asfixia

Por Drauzio Varella, na Folha de São Paulo

DESCONFIO QUE Satanás inventou o e-mail só para me infernizar.

Desde que caí nessa armadilha criada pelo Maligno com o objetivo precípuo de transformar minha existência num vale de dívidas eternas, vivo sufocado pelas mensagens que chegam feito nuvens de gafanhotos.

Anos atrás, embasbacado com essa ousadia da informática que jurava simplificar a rotina, acabar com cartas, selos, rolos de fax e com o tempo desperdiçado ao telefone, além de colocar em rede a humanidade inteira, atirei-me em seus braços com determinação.
Suportei com galhardia os dissabores das horas noturnas de trabalho extra anteriormente destinadas ao lazer e ao convívio familiar. O ganho de rendimento e a sensação de viver "online" com o mundo valiam o sacrifício.

Por meio do e-mail podia discutir os casos de meus pacientes, conversar com escritores, ter acesso a pessoas que jamais teria conhecido em outras circunstâncias e manter contato com amigos que não tenho tempo de ver.

Com o passar dos anos, o correio eletrônico melhorou a performance e acelerou meu ritmo de trabalho com tanta fúria que se tornou imprescindível. Com o celular no bolso e a tela do computador à frente eu me sentia Clark Kent pronto para virar Super-Homem, assim que a ocasião se apresentasse.

Como eu, milhões de incautos embarcaram de corpo e alma nessa trama do Coisa Ruim, e a popularização trouxe a banalização, sua companheira inseparável.

Basta um conhecido receber um desses malditos textos musicados ou uma gracinha qualquer, e você ter o infortúnio de fazer parte da lista de vítimas preferidas dele, pronto: é mais uma bobagem para ler, no meio dos assuntos sérios. Como não é fácil adivinhar o conteúdo do arquivo recebido sem abri-lo, você fica tamborilando na mesa enquanto aguarda aqueles bites inúteis se materializarem na tela.

E a publicidade que chega em massa com promessas incríveis, como as de aumentar o tamanho de seu pênis, de revitalizá-lo com medicamentos e aparelhos e de fazer da sua a mais feliz das mulheres.

A face mais cruel dessa praga escravocrata, entretanto, vem à tona quando alguém exclama com ar de contrariedade:

- Você não recebeu o meu e-mail?

Ao ouvir essa pergunta sou invadido pelas culpas somadas de todos os judeus que passaram pelo mundo, dos cristãos diante de Jesus crucificado e de todas as mulheres que tiveram filhos.

Meu Deus, como pude deixar de ver o tal e-mail? Devo ser vagabundo, irresponsável e incapaz de acompanhar a velocidade dos dias modernos. Se meu pai voltasse à vida, morreria de vergonha.

No início, até que os atrasos para esvaziar minha caixa de entrada eram razoáveis: um assunto menos importante, uma resposta que podia esperar ou um recado que ficava dois ou três dias sem ser lido; nada que tomasse muito tempo para colocar em ordem.
Com o passar dos anos, no entanto, os tentáculos desse polvo eletrônico me enlaçaram até a asfixia. Minha caixa de entrada virou calamidade pública.

Na semana passada, trabalhei até tarde todos os dias. Chegar em casa às dez da noite, tomar banho, jantar e ir para o computador. Não é tarefa alvissareira para quem acorda às 6h.

Apesar de haver respondido algumas mensagens durante os dias da semana, domingo havia 128 à espreita para me enlouquecer. Respondi quase 40 e deixei as demais para os dias seguintes.

Não é fácil abrir o computador no meio da correria diária, mas imbuído dos melhores princípios cristãos fiz o que pude: consegui me livrar de 20 ou 30 por dia.

Adiantou? É como navegar contra a maré em canoa furada: no fim de semana seguinte havia 132.

Por isso, quero pedir desculpas a meus credores; procurei ser bom filho, bom pai, bom marido e cidadão cumpridor dos deveres, mas, antes de perder a razão, decidi comunicar-lhes que meu e-mail entrou em concordata por tempo indeterminado.

Ele poderá argumentar que sou mal-agradecido, que sem ele não teria conseguido escrever livros nem fazer metade do que fiz. Estou de acordo, mas prefiro passar por ingrato e até por mau-caráter do que acabar no hospício.

Além do mais, quem ele pensa que é? Meu patrão? Acha que passei a vida estudando para acabar escravo?

Lamento o inconveniente, mas não estou em condições psicológicas de prever a duração da atual concordata. A julgar pelo estado de espírito em que me encontro, não descarto a possibilidade de que no final dela venha a ser decretada a falência.

PS: Experimente fazer um blog, doutor Drauzio. Nesta hora o senhor vai ver o que é bom para a tosse. Como o senhor lida todo dia com doenças, não terá medo de arrumar sarna para se coçar. O segredo é a seletividade. Não se pode ter pena de deletar mails indesejados e incovenientes. Qual a razão lógica para comprar a loucura de outrem? Com isto, o senhor afasta os chatos de plantão e a infinidade de gente de má fé que aproveita-se do anonimato para destilar frustrações pessoais e tentar impor sua ideologia política. Crie filtros. Eles foram criados com essa finalidade. São como bloqueadores solares, nos protegem de queimaduras desnecessárias. É o que faço com meus três mails, onde recebo mais de 300 mensagens por dia.

 
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DEU NA TV     26/05/2007 11:50
Globo rebate acusações de Crivella sobre favorecimento da Polícia Federal


Do site Comunique-se

O senador Marcelo Crivella criticou a cobertura da Rede Globo sobre a operação Navalha afirmando que a Polícia Federa tornou-se "sócia" da emissora ao disponibilizar imagens com exclusividade para os telejornais da TV. "A meta de todo jornalista é conseguir uma boa notícia antes da concorrência. No jargão da imprensa, isso se chama 'furo', conquistado pelo mérito dos nossos profissionais. Para atenuar essa conquista, quem ficou para trás muitas vezes alega que houve favorecimento. A novidade agora é que a concorrência passou a ter, assumidamente, um porta-voz político-religioso. Apenas isso preocupa: o uso do parlamento e da religião para patrulhar a livre concorrência e, pior, a liberdade de imprensa", rebateu a Globo.

"Não posso concordar que a PF divulgue informações e privilegie um meio de comunicação em detrimento de outros. A Globo recebeu as imagens no sábado e as demais emissoras no domingo, de maneira que só saiu exclusividade no Fantástico", declarou o político na quarta-feira.

O senador preocupou-se em diferenciar o "furo" do suposto favorecimento.

"Foi uma informação que foi divulgada de maneira discricionária. Foi chamada a emissora e dada a fita a ela, isso não traz nenhuma vantagem, é uma vergonha. Não pode haver furo nesse caso em que o poder público dá as informações." Apesar das acusações, Crivella não entrou com nenhuma representação para investigar o caso, condição que, durante a semana, o ministro da Justiça, Tarso Genro, apontou como fundamental para investigar o suposto favorecimento.

De novo

Não é a primeira vez que as emissoras concorrentes entram em atrito. No início de maio, a TV Globo chegou a considerar que a Record havia divulgado imagens exclusivas da operação Furacão veiculadas no Jornal Nacional. A rede de Edir Macedo transmitiu imagens da operação horas antes do Fantástico. Na verdade, o vídeo já havia sido divulgado entre os demais órgãos de imprensa após a exibição no JN.

A Polícia Federal nega ser responsável pelo vídeo exibido pela Globo no "Fantástico", criticado por Crivella. Além da polícia, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e advogados de defesa dos acusados da operação têm acesso a filmagem. O senador não explicou como soube que a polícia teria feito o favorecimento.

 
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VALE DO SÃO FRANCISCO     26/05/2007 11:00
Sem citar origem, New York Times destaca vinhos produzidos em Pernambuco

 

 Napa Valley? Bordeaux? Não, mas é a região do vinho

Por Andrew Downie  (Tradução: Cynthia Vaz)

 

Rio de Janeiro, 14 de maio – Quando o vinicultor português João Santos viu pela primeira vez o novo vinhedo de sua empresa no Brasil, ficou desanimado. Como poderia produzir um vinho parecido com o produzido na Europa? O problema eram as palmeiras.

 "Vinho e coco," disse o senhor Santos, diretor da vinícola Dão Sul, com uma risadinha, durante a entrevista por telefone da Fazenda Planaltino, no nordeste do Brasil. "Uma coisa é completamente diferente da outra. Os coqueiros são da praia. O vinho vem da França, da Itália, da Espanha, onde não há coqueiros. Produzir vinho aqui não tem o menor sentido."

 Hoje, quatro anos após a Dão Sul adquirir terras com algumas vinhas no Brasil semiárido ao sul do equador, tem muito sentido. Graças ao trabalho árduo, à melhor tecnologia e a centenas de quilômetros de irrigação vindos do rio São Francisco, a Dão Sul solucionou o enigma do coco e produziu o vinho tropical mais bem sucedido até agora.

 Ao realizar tal feito, deu novo impulso à crescente multidão de vinhos "da nova latitude", aqueles que são produzidos fora do tradicional centro da região vinícola.

Hoje os produtores como Dão Sul, juntamente com empresários da indústria de bebidas, como LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, Pernod Ricard e Veuve Clicquot Ponsardin, estão investindo em países em desenvolvimento, onde há uma classe média crescente se tornando amante do vinho. Essas empresas estão desafiando um dogma de séculos que diz que a viticultura tem a ver com o solo, isto é, com a crença de que o vinho reflita a região onde as uvas são produzidas, além da temperatura da região.

 "Por anos delimitamos duas faixas no mundo, aproximadamente entre as latitudes 30 e 50, por julgá-las propícias à viticultura," escreveu Jancis Robinson, conhecida enóloga britânica, sobre o novo fenômeno em sua página na Internet. "Mas tudo está mudando muito rapidamente. Avanços nas técnicas de refrigeração e irrigação, isso para não falar de um controle muito maior onde e como as vinhas crescem, tornaram vastas áreas de plantio acessíveis às videiras, em lugares antes tidos como impróprios para a viticultura."

 As boas uvas se desenvolvem no calor e na luz do sol, que são abundantes no nordeste do Brasil. Geralmente esses climas tropicais são úmidos, mas a água para a videira de Dão Sul vem do rio, e não de chuvaradas devastadoras.

O terreno é plano e árido – perfeito para palmeiras. E é um contraste total com as colinas das regiões vinícolas em lugares como o sudoeste da França ou Napa Valley no nordeste da Califórnia, que estão muito acima ou abaixo do Equador para serem consideradas regiões excelentes para se produzir vinho.

Mas agora audaciosos fabricantes de vinho estão se aventurando em países como o Brasil.

Uma companhia subsidiária da Dão Sul, a Vinibrasil, plantou centenas de fileiras de vinhas. Na Tailândia, a Siam Winery colocou vinhedos flutuando sobre o Delta do Chao Phraya, a 13 graus norte. E até na Inglaterra, verões mais quentes e longos deram confiança aos negociantes de vinho para produzir uma grande variedade de vinhos brancos e espumantes.

Os fabricantes de vinho da nova latitude ainda são relativamente desconhecidos se comparados aos tradicionais e poderosos da França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, e também ficam atrás até mesmo dos produtores do Novo Mundo, isto é, da Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia, África do Sul e Estados Unidos.

A China e o Brasil, os dois maiores produtores entre os países da nova safra de vinhos, produzem apenas 6,7 milhões de hectolitros, ou seja, 2,4% da produção anual de vinho, de acordo com os números da International Wine and Spirit Record, empresa de pesquisa sediada em Londres.

Mesmo assim, o vinho está se tornando mais popular em países como o Brasil, a China e a Índia por conta da crescente classe média e da publicidade sobre seus benefícios à saúde.

Os produtores dos três países estão apostando no crescimento desse mercado, e há números que o comprovam. A empresa de pesquisa de Londres calcula que até 2011 o consumo de vinho irá subir 12% no Brasil, 39% na China e 82% na Índia.

E os investidores já perceberam. Juntamente com a decisão da Dão Sul de apostar no Brasil, a Pernod Ricard possui marcas no Brasil, na Geórgia e na Índia; a LVMH investiu pesado no Chandon, o espumante premiado do Brasil; e o fabricante do Champanhe Francês Veuve Clicquot Ponsardin é sócio há 11 anos da Grover Vineyards, uma das maiores produtoras da Índia.

"Primeiro eles estabelecem uma base de operações para poder vender no mercado interno," diz Joe W. Ciatti, o fundador da Joseph W. Ciatti Cmpany baseada na California, a maior corretora de vinho do mundo. "Aí podem pensar em exportar. Tudo hoje é global, então é lá que estão as oportunidades e os grandes produtores não têm medo. Irão aonde estiver a oportunidade."

Ciatti e outros produtores americanos dizem que os produrtores na nova latitude ainda são tão pequenos que não aparecem nas telas dos radares americanos. Os produtores do Novo Mundo temem mais os do Velho Mundo e vice-versa, diz Ciatti.

Ambos dominam a produção, com 62% do vinho do mundo vindos de cinco grandes produtores europeus e 26% vindos de países do Novo Mundo, segundo a Organização Internacional de Videira e Vinho, com sede em Paris.

Mas enquanto os dois maiores produtores competem por uma fatia de um mercado que hoje vale US$ 91,6 bilhões, de acordo com os dados da organização, a Vinibrasil está trabalhando na surdina nesse deserto abafado ao sul do equador. A decisão da empresa de investir na América do Sul foi um aposta baseada na longa experiência do Brasil em plantio de uvas e produção de vinho.

Os imigrantes de Portugal do século XVI e mais tarde da Itália, França e Alemanha, estabeleceram vinhedos no sul do país. A Dão Sul acreditava que poderia produzir vinhos de qualidade superior semelhantes a 2.000 km ao norte. Em 2003, abocanhou a primeira parte do que veio a ser quase 5.000 acres ao longo do rio São Francisco. Então gastou mais de US$ 4 milhões na compra de maquinaria de última geração.

Os 25 tintos, brancos e espumantes que ela produz hoje representam 15% da produção da empresa.

A decisão de investir no Brasil foi baseada em diversos fatores, incluindo a terra e a mão-de-obra baratas e as avançadas técnicas de refrigeração. Uma vantagem importante que o Brasil compartilha com muitos países produtores da nova latitude é ter sol o ano todo. A região tem 12 horas de luz do sol por dia, e contrastando com Bordeaux, que só tem 12 horas de sol por dia durante o verão, não há nuvens no céu em 300 dias por ano. Os produtores podem colher durante o ano todo e assim cortar sensivelmente os custos de produção.

"Temos cerca de 50 lotes com quatro hectares cada e uvas cultivadas o tempo todo," diz o sr. Santos. "Isto quer dizer que colhemos uvas duas ou três vezes em janeiro, duas ou três vezes em fevereiro, duas ou três vezes em março e assim por diante. É um ciclo contínuo."

A sra. Robinson diz que os vinhos da nova latitude não apresentam uma ameaça aos melhores que Bordeaux ou mesmo a Califórnia do Norte podem oferecer. Mas reconheceu que a maioria dos países emergentes estão nos mesmo estágio de desenvolvimento que as regiões vinícolas francesas estavam há séculos. "Eu ainda acho inacreditável que vinhos da nova latitude poderão ser realmente bons," escreveu a Sra. Robinson na sua página na Internet. "Mas isso era dito a respeito dos vinhos do Novo Mundo há pouco tempo."

(Publicado no New York Times em 15 de maio de 2007.)  

 

 

 
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NESTE CASO, MENOS É MAIS     26/05/2007 09:00
O que dá para rir dá para chorar, mostra charge de Ronaldo

Charge de Ronaldo
Será que um choque de moralidade não resolve?

 
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