Olívia Mindêlo
Do Caderno C
Em 2006, a jovem Companhia do Ator Nu, que atua há quatro anos no Recife, resolveu prestar uma homenagem ao dramaturgo Noberto Cardoso, falecido em 1995, com o espetáculo Cartas para um mozartiano. Agora, é a vez de o grupo subir ao palco para reverenciar outro autor brasileiro, que completaria 60 anos em setembro, caso estivesse vivo: Caio Fernando Abreu. Também monólogo, o novo trabalho chama-se Fio invisível da minha cabeça, baseado em um dos contos de Morangos mofados, o livro de maior sucesso da trajetória do escritor gaúcho, falecido há 12 anos. A estréia é neste sábado (2), às 20h, no Teatro Joaquim Cardozo, onde cumpre temporada durante este mês, sempre aos sábados e domingos (no mesmo horário).
O título do conto escolhido é Além do ponto, mas a companhia resolveu batizar a peça de Fio invisível da minha cabeça, até porque houve uma interferência do texto pelo grupo, na intenção de levá-lo ao palco. "O nome da peça faz referência a uma frase que está no texto. É quase imperceptível, mas traça o fio condutor do personagem, do que ele está buscando", explica o diretor Breno Fittipaldi, convidado pela companhia para fazer o trabalho. E ele busca o que? "Só vendo o espetáculo para saber. Acho que ele busca a felicidade, preencher o vazio. É um espetáculo para refletir e não rir, entende? Então, cada um pode achar que ele busca uma coisa diferente do que eu penso, por exemplo", diz o diretor, para quem Caio Fernando Abreu é um ídolo: "ele é extremamente atual, urbano, cruel e poético".
Quem dá vida à voz literária do escritor gaúcho, sempre marcado por pitadas autobiográficas, é o mesmo ator de Cartas para um mozartiano: o pernambucano Henrique Ponzi, um dos fundadores da Companhia do Ator Nu, ao lado do produtor Edjalma Freitas. Ele conta que foi coincidência o fato de o novo trabalho ser mais um monólogo, e ainda em homanagem a um autor falecido. "Na verdade, fazemos um monólogo em que muitas pessoas participam. O processo foi muito coletivo. O que a gente gosta muito é trabalhar o texto contemporâneo, o homem urbano, e isso o texto de Caio tem muito", diz Ponzi, que atua durante cerca de 45 minutos, tempo da montagem.
O espetáculo pede, como o texto, uma ambientação intimista, voltada para a relação com o outro, o desejo do outro que não aparece – marca da narrativa confessional de Caio Fernando Abreu. Na peça, não há trilha sonora, mas uma sonoplastia feita por Sônia Guimarães. A cenografia e o figurino ficaram a cargo do grupo. Em setembro, a companhia realiza o II Ciclo de Leituras Dramáticas – Caio F, Escrita Poética.
SERVIÇO:
Fio invisível da minha cabeça
Estréia: Sábado (2), às 20h, no Teatro Joaquim Cardozo
Centro Cultural Benfica, Madalena
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Telefone:(81) 3226.0423