PARIS – A intenção da Imagine Cup sempre foi boa: estimular a formação de mão-de-obra em TI no mundo inteiro e mostrar que tecnologia pode – e deve – ser sinônimo de diversão e responsabilidade social. Mas os números referentes à copa nunca foram tão bons como agora. Na sexta edição, encerrada ontem em Paris, inscreveram-se nada menos que 200 mil estudantes do mundo inteiro. E, depois de várias seleções nacionais e internacionais, 370 competidores de 61 países chegaram à França. Eles formaram 124 equipes em nove categorias: Software design, Sistemas embarcados, Projeto Hoshimi, Desenvolvimento de game, IT Challenge, Algoritmo, Fotografia e Curta-Metragem.
“Há seis anos, quando a competição começou, era bem mais acanhada”, lembra Rogério Panigassi, líder mundial do evento. Da primeira edição, realizada em 2003, na Espanha, participaram apenas mil estudantes de 25 países. “Lembro que a gente ficava catando estudante brasileiro para ir e não tinha. Também não era possível, naquele tempo, fazer uma grande divulgação do campeonato”, conta Rogério, que na época trabalhava na Microsoft Brasil.
O empenho de Rogério e da subsidiária nacional da empresa foi tão grande que mudou para sempre a história da competição. E os brasileiros têm tudo a ver com isso. “Em 2004, conseguimos trazer o evento para São Paulo. E desde então, a Imagine Cup e o Brasil são indissociáveis. Os brasileiros sempre representam uma grande parcela dos inscritos. Em 2008, chegaram a 30%”, diz Rogério que, não por acaso, foi promovido a líder mundial da Imagine Cup.
O País do futebol embarcou rapidinho na idéia de ganhar outra copa do mundo. Mas não foi o único. A terceira edição do evento, realizada em Yokohama, no Japão, já contou com uma quantidade de inscritos 30 vezes maior que a primeira e atraiu gente de nada menos que 97 países e regiões. E os números não pararam de crescer. Na edição de 2006, foram 65 mil inscrições e em 2007, 100 mil.
Para dar conta do recado, o formato da copa também foi aprimorado. Tanto do ponto de vista logístico, quanto pedagógico. “Para garantir uma experiência mais completa aos estudantes, criamos outros projetos, como o Inovation accelerator”, diz o coordenador da Imagine Cup.
A idéia é promover uma espécie de capacitação dos principais finalistas para atuar no mercado e depois colocá-los em contato com investidores nos mais de 60 centros de inovação que a multinacional tem mundo afora.
Outra estratégia para encurtar o caminho dos bons estudantes que o evento revela para o mercado é o Student to business, projeto baseado em promover o encontro entre esses jovens e empresários integrados de alguma forma à enorme rede de networking da Microsoft que estão com escassez de mão-de-obra. “E isso nunca foi um problema tão sério no mundo inteiro.” Nem as oportunidades jamais foram tantas para quem se sai bem numa Imagine Cup.
Que o diga o pernambucano Carlos Eduardo Rodrigues, que já participou de três edições consecutivas da disputa e nem lembra mais quantas vezes foi chamado para participar de eventos no Brasil e em outro países, promovidos pela Microsoft. “De 2006 até agora, já devo ter dado umas 40 ou 50 palestras por aí. Sem contar que tive a oportunidade de conhecer executivos geniais, como Bill Gates e Steven Ballmer”, diz o estudantes veterano, que já anunciou sua aposentadoria da competição: “No próximo ano, não venho mais”.
Não por falta de vontade ou de idéias, mas de tempo. “Agora tenho uma equipe de dez funcionários para administrar e fazer o negócio dar certo”, diz o mestrando e empresário que conseguiu, com uma força do Inovation accelerator, financiamento de R$ 850 mil da Finep para transformar o projeto vEye em um bom negócio.
A iniciativa, um bracelete que emite vibrações para ajudar na locomoção de deficientes visuais, foi criada com os também estudantes da UFPE Madson Menezes, Ivan Cardim e Augusto Spinelli, para a competição de 2006. O projeto ficou em segundo lugar na categoria de Software design.
Na competição de 2007, também teve pernambucano no pódio. Além do hors-concours Carlos Eduardo Rodrigues, venceram a categoria de Sistemas embarcados Ivan Cardim, Eduardo Soninno e André Furtado. Eles desenvolveram o e-du box, ferramenta voltada a acelerar o aprendizado. André Furtado, hoje, atua na unidade da Microsoft em Seattle (EUA). É um dos 600 brasileiros e 60 pernambucanos contratados pela empresa. Um estímulo e tanto para qualquer universitário. Pernambucano ou não. (B.C.)