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Relatividade para invisuais - IV
Publicado em 03.07.2008, às 21h04

MARCELO ALENCAR é Professor titular da UFCG e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT)

À medida que a Física Teórica se desenvolvesse, objetos até então impensáveis poderiam ser descritos matematicamente. O equivalente do buraco negro seria, nesse contexto, um objeto que absorvesse qualquer som em suas imediações. Ele não poderia ser detetado pelo radar, visto que a onda acústica seria totalmente engolida pelo buraco negro. Seria como um avião Stealth, encomendado pela Agência Central de Inteligência (CIA), que é quase invisível aos radares eletromagnéticos.

Aliás, seria mais adequado chamá-lo buraco mudo, e funcionaria como uma câmara anecóica, que é usada em estúdios de gravação de áudio, voltada para fora. Ele só poderia ser observado indiretamente quando, por exemplo, o som de outro objeto que passasse por trás fosse absorvido. A interação com outros corpos é também a forma como os buracos negros astronômicos são detectados hoje em dia.

O desenvolvimento do ultrassom certamente permitiria aumentar a taxa de transmissão de dados, assim como a percepção de objetos muito pequenos, mas restringiria o raio de ação dos transmissores, porque freqüências mais elevadas implicam em comprimentos de onda menores e, como conseqüência, maior absorção da onda por obstáculos, como paredes.

O som poderia ser transmitido por meio sólido, em vez do ar, o que permitiria maior velocidade de propagação. Mas se perderia a vantagem da transmissão aérea, equivalente à transmissão sem fio de ondas eletromagnéticas. Aliás, a transmissão entre planetas seria praticamente inviável, visto que o espaço interplanetário é muito rarefeito para a propagação de ondas sonoras.

Ainda bem, porque o barulho produzido pelas inúmeras explosões nucleares que ocorrem no Sol, e que geram a energia para manter a Terra com vida, seria insuportável para seres com ouvidos tão sensíveis.

As ondas eletromagnéticas não têm essa restrição e podem se propagar no vácuo, porque são formadas pela composição dos campos elétrico e magnético, que trocam energia ao longo do percurso, fenômeno descrito pelas famosas equações de Maxwell.

Aliás, essas equações, juntamente com os trabalhos de Hendrik Antoon Lorenz (1853-1928), conhecidos como transfomações de Lorenz, e Hermann Minkowski (1864-1909), que foi professor de Einstein em Zurique, deram os fundamentos para a Teoria da Relatividade.

Maxwell desenvolveu essa teoria juntando em uma única formulação a lei de André-Marie Ampère (1775-1836), modificada por ele, a lei de Carl Friedrich Gauss (1777-1855), e a lei da indução de Michel Faraday (1791-1867). Ele também demonstrou que os campos elétricos e magnéticos se propagam à velocidade da luz, uma descoberta fundamental para a Física.

A Teoria Especial da Relatividade de Einstein certamente deve sua origem às equações de Maxwell. O próprio Einstein reconheceu isso, e também comentou: "Desde o tempo de Maxwell, a realidade física tem sido pensada como sendo representada por campos contínuos, e incapaz de qualquer explicação mecânica. Esta mudança na concepção da realidade é a mais profunda e mais frutífera que a Física experimentou desde a época de Newton."
 



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