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Polêmica

Opep acusa etanol de contribuir para alta do petróleo
Publicado em 01.07.2008, às 15h18

Na cúpula do petróleo, o etanol vira polêmica. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) acusou o etanol de também ser responsável pela alta recorde nos preços do petróleo. O presidente do cartel, Chakib Khelil, acusou hoje os biocombustíveis de estarem contribuindo para a crise, e não ajudando. Ele fez, porém, uma ressalva: o único etanol economicamente viável é o brasileiro. "Cerca de 20% da alta no preço do petróleo está ocorrendo por causa do bioetanol", afirmou, durante uma conferência de imprensa no Congresso Mundial do Petróleo, em Madri.

Há um mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua passagem por uma conferência da ONU em Roma para criticar o lobby do petróleo pela campanha contra o etanol. Mas a Agência Internacional de Energia (AIE) negou hoje em seu relatório que o etanol seja parte do problema e saiu em defesa do combustível. Para a entidade, nem mesmo a publicidade contra o etanol vai parar sua expansão nos próximos cinco anos. "Se não fosse pelos biocombustíveis, os preços do petróleo estariam claramente mais altos", afirmou a entidade. Até 2013, o etanol pode ocupar 5% do mercado que hoje é da gasolina e 1% do de diesel.

O etanol pode ainda ter um impacto relativamente maior no caso da substituição do petróleo cru. Até 1,7 milhão de barris poderiam ser substituídos pela etanol até 2013. A entidade, porém, admite que há capacidade de produção no etanol que não está sendo usada diante do volume de investimentos que foram feitos nos últimos anos e dos lucros baixos em algumas partes do mundo. O resultado foi uma revisão para baixo da produção em várias regiões.

Para a Opep, quem está errada é a AIE. "Americanos e europeus estão tentando forçar a entrada de biocombustíveis no mercado. Isso está sendo custoso e não está ajudando o setor de combustíveis", alertou Khelil, que também culpa a especulação e o dólar pelos problemas no preço do barril. Sua tese é de que, ao aumentar a produção de biodiesel, o setor passa a usar mais a capacidade das refinarias. "Com isso, a produção de diesel cai e portanto, o preço sobe", afirma. "O preço do petróleo seria menor sem o etanol", garantiu o argelino. Ele, porém, faz uma distinção. "O milho não pode servir para o etanol. Já a cana faz sentido econômico e até ambiental", disse.

Fonte: Agência Estado



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