Ameaça
BCs mundiais se reúnem na Suíça para discutir inflação Publicado em 27.06.2008, às 17h59
A inflação se consolida como uma ameaça global e, diante desse novo cenário, os maiores bancos centrais do mundo se reúnem a partir amanhã, na Suíça, para tentar dar um sinal aos mercados de que estão comprometidos com a luta contra a inflação.
O encontro ocorre na Basiléia e contará com a presença dos principais xerifes das finanças, entre eles o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles. A turbulências dos mercados, que parecem não querer se dissipar, e a alta nos preços dos petróleo estarão entre os principais temas também do encontro.
A pressão inflacionária volta a assustar tanto os países ricos quanto os emergentes, 30 anos depois, com o preço do petróleo, alimentos e metais atingindo patamares recordes.
Segundo o banco de investimento Morgan Stanley, nada menos que 53 países, quase todos nos mercados emergentes, terão taxas de inflação acima de 10% em 2008. Isso, na prática, significa que a alta nos preços atingirá 42% da população mundial.
Na Índia, a inflação de 11% em junho foi a maior em 13 anos. Em Nova Déli e em Pequim, o governo foi ainda obrigado a aumentar os subsídios à energia para impedir que a conta do consumidor explodisse. Mesmo assim, a China já aumentou em 17% o preço da gasolina apenas em junho.
Na Europa, por exemplo, as taxas de inflação são as maiores nos últimos 16 anos. Hoje, o comissário Econômico da União Européia (UE), Joaquin Almunia, alertou que a inflação irá persistir por mais tempo que as autoridades acreditavam. "A inflação está desconfortavelmente alta, assim como está no resto do mundo", afirmou.
"A inflação deve se manter elevada por um período mais longo que inicialmente esperávamos e só deve cair no final do ano, ainda que haja a possibilidade de uma alta maior nos preços de petróleo e nos produtos agrícolas", afirmou Almunia.
O temor, porém, é de que a alta não seja apenas temporária e que se transforme em um elemento duradouro, com repercussões mesmo sociais. Com um barril de petróleo batendo recordes a cada dia, os BCs sabem que já terão de lutar contra uma contaminação da inflação em outras áreas e protestos que já começam a se proliferar.
Para os BCs que irão se reunir, a principal preocupação com a crise passou a ser mesmo a inflação, e não tanto as taxas de crescimento da economia.
Fonte: Agência Estado
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