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Relatividade para invisuais - III
Publicado em 25.06.2008, às 14h50

MARCELO ALENCAR é Professor titular da UFCG e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT)

Como o mundo seria percebido, então, se todos os seres humanos fossem invisuais natos? Se todos os habitantes da Terra fossem insensíveis à luz, mas pudessem ouvir, como os eventos seriam notados? Essa não é uma conjectura absurda, visto que há milhões de invisuais no planeta e muitas espécies de animais são absolutamente cegas à radiação eletromagnética na faixa de luz.

Seria, para a população, o equivalente a viver em um mundo totalmente escuro, uma noite eterna, na qual o som seria a forma usual de transmitir a informação. Para velocidades baixas, típicas dos movimentos humanos, não haveria graves problemas. Até porque o som se propaga no ar com uma velocidade de aproximadamente 340 metros por segundo, suficiente para se perceber a aproximação de uma pessoa, antes que ela se choque com alguém.

Porém, perceber um evento rápido, como o vôo de um avião, trariaalgumas complicações. Um modelo matemático teria que ser desenvolvido pelos cientistas do planeta para explicar porque o avião não estaria mais na posição indicada pelo som, quando este fosse percebido por um observador.

Um ataque de seres extraterrestres com visão, ou percepção paraondas eletromagnéticas, poderia ser devastador. As baterias anti-aéreas dos nativos errariam as naves alienígenas na maior parte das vezes, se o modelo matemático desenvolvido não fosse preciso o suficiente.

Um avião supersônico seria praticamente invisível porque, ao ultrapassar a barreira do som, estaria voando mais rápido que a frente de onda. Ele passaria pelos observadores e somente seria notado algum tempo depois, quando o som de suas turbinas finalmente atingisse os tímpanos das pessoas, com elevado risco para os invisuais que não entendessem a Física da ondas que se propagam no espaço.

O efeito Doppler, que indica a aproximação de um trem, por exemplo, pelo aumento da freqüência percebida do som de seu apito, teria que ser descoberto e analisado. Isso possibilitaria o desenvolvimento do radar, para detectar a aproximação ou distância de objetos. Dependendo de como o objeto influencia o sinal transmitido pelo radar, seria possível extrair também informações sobre seu formato e dimensão.



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