Com a ausência das estrelas da NBA, a responsabilidade pelo sucesso da seleção brasileira masculina de basquete no Pré-Olímpico, em julho, recai sobre os mais experientes. Que o diga Marcelinho e Alex, os capitães escolhidos pelo técnico espanhol Moncho Monsalve para comandar um time jovem em busca de um sonho: a vaga para os Jogos de Pequim.
O desafio é duro, basta ver o retrospecto. O basquete masculino do Brasil não disputa uma Olimpíada desde 1996, em Atenas (Grécia), quando Oscar Schmidt ainda jogava. Ou seja, ficou fora das duas últimas edições.
Apesar do incômodo jejum e dos problemas da seleção - seis jogadores pediram dispensa, entre eles os astros da liga norte-americana Nenê, Anderson Varejão e Leandrinho -, Marcelinho e Alex não jogam a toalha. Pelo contrário. Esbanjam confiança e pronunciam a todo instante a palavra superação.
"A torcida pode ter certeza que verá 12 guerreiros em quadra lutando pela classificação. Ninguém mais do que a gente quer essa vaga", declarou o ala/armador Marcelinho, que defende o Flamengo. Aos 33 anos, ele terá a última chance de disputar uma Olimpíada, um marco na carreira de qualquer esportista.
"Chegou a hora, dessa vez não passa. Eu ficarei frustrado se não conseguir". Depois dessa frase, Marcelinho ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse se vendo nessa situação delicada, e voltou a falar num tom de desabafo. "Sempre quero ganhar tudo, mas nem sempre a gente consegue".
Sentado ao lado de Marcelinho no ginásio do Maracanãzinho, onde a seleção treina forte, o ala/armador Alex ressaltou que a classificação para Pequim só depende do próprio grupo, apesar de ter ficado mais complicada por causa dos desfalques.
"A equipe sente a falta deles (dos atletas da NBA) e, num torneio internacional, os adversários iriam nos respeitar mais se os vissem entrar em quadra", destacou o ala/armador, de 28 anos. Marcelinho não foi deselegante, mas discordou. "Eles são rodados, mas a gente sentiria a ausência dos três se eles saíssem no meio da competição ou na metade da preparação".
Marcelinho e Alex são o elo entre o treinador e o jovem elenco. Os dois sempre batem papo com a garotada sobre a tática do time, sobre a adaptação à seleção e levam qualquer problema ou reclamação para Moncho. "O clima está legal. Um dá força para o outro", elogiou Alex, que já atuou na NBA e atualmente veste a camisa do Macabbi Tel Aviv, de Israel. "A gente não fala mais sobre quem não está aqui O negócio é tocar o barco e dá liberdade para a molecada".
Fonte: Agência Estado